PF abre inquérito para investigar informação errada de que a carga de madeira estaria impregnada de cocaína


Foram 260 cargas de madeiras apreendidas, em MS e MT
Laudo da PF/Reprodução
A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar de onde surgiu a informação de que uma carga de 260 toneladas de madeira, retida na fronteira do Brasil com a Bolívia, entre Corumbá (MS) e Cáceres (MT), estaria impregnada com cocaína.
Segundo a corporação, o objetivo é esclarecer como surgiu a comunicação que levou à retenção da carga e à atuação dos órgãos de fiscalização. O caso ganhou repercussão depois que a Receita Federal informou que a suspeita foi baseada em dados compartilhados por órgãos dos Estados Unidos e da Bolívia.
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A Polícia Federal informou que o inquérito investiga a comunicação que deu origem à suspeita, e não uma suposta falsa comunicação.
Polícia boliviana contesta existência de droga em carregamento
Segundo a Receita Federal, a carga foi retida de forma cautelar após o recebimento de informações de inteligência compartilhadas pela Drug Enforcement Administration (DEA), dos Estados Unidos, e pela Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN), da Bolívia. As informações apontavam fortes indícios de que a madeira poderia estar contaminada com cocaína.
Com base nesses dados, equipes da Aduana Boliviana e da FELCN foram ao Porto Seco de Corumbá e pediram que a carga retornasse à Bolívia para a realização de medidas de controle.
Em nota, a Receita Federal afirmou que a situação era incomum porque a mercadoria já havia entrado regularmente em um recinto aduaneiro brasileiro. A íntegra da nota está no fim da reportagem.
Durante a fiscalização, a Receita Federal e a FELCN fizeram testes preliminares, que indicaram a possível presença de cloridrato de cocaína. Segundo o órgão, esses exames são iniciais e não substituem a perícia feita em laboratório.
Com base nas informações recebidas e nos resultados dos testes preliminares, a Receita Federal reteve a carga e acionou a Polícia Federal para dar início às investigações e às perícias.
No entanto, em 22 de julho, a Polícia Federal divulgou o laudo que apontou resultado negativo para cocaína e outras substâncias de interesse forense em todas as amostras analisadas.
Apesar do resultado negativo, a investigação ainda não foi concluída.
Ainda faltam os laudos do Instituto Nacional de Criminalística. Por isso, a Polícia Federal instaurou o inquérito para dar continuidade às investigações e esclarecer o caso. O Ministério Público Federal e a Receita Federal foram informados da medida.
Enquanto a investigação não é concluída, a carga permanece retida.
Sobre os custos de armazenagem, a Receita Federal informou que o proprietário poderá pedir ressarcimento pela via administrativa. O pedido será analisado caso a caso e dependerá da comprovação dos prejuízos e do cumprimento dos requisitos legais.
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A apreensão ocorreu durante a Operação Timber Shield, realizada pela Receita Federal em parceria com a Polícia Federal, o Exército Brasileiro e órgãos de inteligência dos Estados Unidos e da Bolívia.
As equipes fiscalizaram cerca de 260 toneladas de madeira transportadas em oito caminhões. Quatro veículos foram interceptados em Corumbá (MS) e outros quatro em Cáceres (MT).
Informações compartilhadas por autoridades brasileiras, dos Estados Unidos e da Bolívia indicavam a possibilidade de a carga estar contaminada com cocaína. Com base nesses dados, a fiscalização foi reforçada na fronteira.
Durante a inspeção, testes preliminares apontaram indícios da presença da droga na madeira.
Veja o que diz a nota da Receita Federal
“A Receita Federal informa que a retenção cautelar da carga de madeira ocorreu após o recebimento de informações de inteligência compartilhadas pela Drug Enforcement Administration (DEA), dos Estados Unidos, e pela Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN), da Bolívia (organismos internacionais). As informações indicavam fortes indícios de possível contaminação da mercadoria com cocaína.
Em razão dessas informações, equipes da Aduana Boliviana e da FELCN deslocaram-se ao Porto Seco e manifestaram interesse no retorno da carga ao território boliviano para a adoção de medidas de controle naquele país. Tratou-se de uma situação incomum, relacionada a uma carga que já havia ingressado em recinto aduaneiro brasileiro.
Durante os procedimentos de fiscalização, foram realizados narcotestes preliminares pela Receita Federal e pela FELCN. Os resultados apresentaram reação indicativa da possível presença de cloridrato de cocaína. Esses testes têm caráter preliminar e não substituem os exames periciais realizados em laboratório.
Diante do conjunto de informações de inteligência e dos resultados dos testes preliminares, a Receita Federal procedeu à retenção cautelar da carga e comunicou imediatamente o fato à Polícia Federal, para a adoção das medidas investigativas e periciais cabíveis.
Em 23 de julho de 2026, a Receita Federal recebeu comunicação contendo o resultado dos exames realizados pela perícia da Polícia Federal em Corumbá. Segundo a informação encaminhada, todas as amostras analisadas apresentaram resultado negativo para cocaína, bem como para outras substâncias de interesse forense, consideradas as técnicas e metodologias aplicadas.
A apuração, contudo, ainda não foi concluída. Permanecem pendentes laudos periciais do Instituto Nacional de Criminalística, e a Polícia Federal determinou a instauração de inquérito policial para o prosseguimento das diligências e o esclarecimento integral dos fatos, com ciência ao Ministério Público Federal e à Receita Federal.
Por essa razão, a carga permanece retida. A Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal realizarão reuniões para avaliar o andamento do caso e definir as providências cabíveis, respeitadas as atribuições de cada instituição.
A eventual liberação da mercadoria dependerá da conclusão das análises e dos procedimentos ainda pendentes, bem como da verificação de que não existem outras irregularidades que impeçam o regular prosseguimento da operação aduaneira.
Quanto aos custos de armazenagem eventualmente suportados pelo proprietário da carga, eventual pedido de ressarcimento poderá ser apresentado pelos meios administrativos próprios. O requerimento estará sujeito à análise do caso concreto, à comprovação dos valores e prejuízos alegados e à verificação dos pressupostos jurídicos aplicáveis, não havendo reconhecimento automático do direito ao ressarcimento.
A Receita Federal esclarece que a retenção teve natureza cautelar e foi adotada diante de informações de inteligência fornecidas por organismos internacionais especializados e de resultados obtidos em testes preliminares. A atuação observou os procedimentos de controle e segurança aplicáveis, com o imediato acionamento da Polícia Federal para a realização das investigações e perícias necessárias”.
A droga foi encontrada em estado líquido e misturada à própria estrutura da madeira.
Receita Federal
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