
Duas funcionárias do Centro de Educação Infantil (CEI) Luz do Brás foram desligadas após a morte de Abdoulaye Dieng, de um ano e quatro meses, dentro da unidade conveniada com a Prefeitura de São Paulo. A Secretaria Municipal de Educação confirmou os desligamentos nesta segunda-feira (27).
A criança morreu na quarta-feira (22), depois de ficar presa entre uma estrutura gradeada e a parede de uma sala de uso múltiplo. O espaço foi interditado na sexta-feira (24) para análise técnica, enquanto as outras atividades da creche continuaram.
Imagens do circuito interno passaram a ser examinadas pela Polícia Civil e pela administração municipal. Segundo a defesa da família, a gravação mostra que Abdoulaye permaneceu sem atendimento imediato por cerca de seis minutos. A sequência também deverá esclarecer onde estavam os profissionais responsáveis pela turma.
O caso foi registrado no 8º Distrito Policial, no Brás, como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A investigação reúne os vídeos da unidade e depoimentos de funcionários, familiares e outras pessoas que podem ajudar a reconstruir o atendimento prestado naquele dia.
O CEI é administrado pela Associação Beneficente Luz por meio de parceria com o município. A Secretaria abriu procedimento administrativo e informou que a entidade pode ser descredenciada se forem comprovadas irregularidades. A análise deve alcançar a estrutura da sala, a escala de profissionais, o número de crianças presentes e o cumprimento das regras de supervisão.
A família é senegalesa e vive no Brasil. O pai, Ibrahima Dieng, disse ter recebido inicialmente uma mensagem de que o filho havia passado mal. A explicação sobre o que ocorreu na sala só apareceu depois, quando parentes e representantes da comunidade buscaram informações.
O iG pediu informações à Prefeitura de São Paulo sobre o ocorrido e os descobramentos, mas ainda não obteve resposta. O espaço segue aberto.
