
Apenas dois tipos de seres vivos no planeta passam pela menopausa: mulheres e algumas baleias com dentes. Além das humanas, as orcas, as baleias-piloto, os narvais e as belugas também passam por um longo período de vida sem reprodução, segundo estudo do Centro de Pesquisa de Baleias dos Estados Unidos. No reino animal, ao contrário dos cetáceos, a fêmea reproduz até a morte.

Tal comportamento intriga a biologia há décadas. Seguindo a lógica da evolução, cada animal deveria deixar o máximo de descendentes. Parar de reproduzir com décadas de vida pela frente, portanto, representa um caminho contra a maré.

Entre as mulheres, três em cada quatro param de ter filhos depois dos 45 anos e ainda vivem décadas. As baleias dentadas seguem média parecida, já que fêmeas mais velhas passam de 20 a 30 anos no grupo sem gerar uma única cria.
Depois da menopausa, as fêmeas mais velhas assumem o comando. Elas viram matriarcas e guiam o bando até as áreas de caça, exercendo um papel crucial na sobrevivência das espécies. Uma velha matriarca sabe exatamente onde encontrar comida com segurança.

Além disso, décadas de observação evidenciaram que avós orcas aumentam o percentual de sobrevivência dos netos, sendo atuantes no cuidado com os filhotes. Os pesquisadores batizaram o fenômeno de “hipótese da avó”: a teoria consiste em trocar novas crias pela orientação das gerações seguintes, resultando na garantia de passagem dos genes da fêmea.

O estudo mostrou que as fêmeas mais velhas param de reproduzir quando as filhas começam a parir. Para não competir com a própria descendência, a geração antiga passa a cuidar das crias mais novas. Na pesquisa, publicada pela revista científica Current Biology, os autores afirmam que a mesma situação pode ter moldado a menopausa nas mulheres.
