
Uma pesquisa da ONG internacional Inside Airbnb aponta que o Rio de Janeiro se consolidou como um dos principais polos do mundo. Em junho deste ano, a cidade contabilizava 48.193 anúncios ativos na principal plataforma do setor, um crescimento de 11% em relação ao mesmo período de 2025, quando havia cerca de 42,5 mil imóveis disponíveis.
O levantamento mostra que Copacabana concentra a maior densidade de anúncios de aluguel por temporada por quilômetro quadrado do mundo. Em um único trecho do bairro, são 2.852 anúncios. Ao todo, Copacabana reúne 13.174 imóveis cadastrados, o equivalente a 30,94% de toda a oferta da cidade.
A pesquisa foi elaborada por uma equipe formada por arquitetos, urbanistas e cientistas de dados de diferentes países e reúne informações sobre moradia e direitos urbanos.
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Segundo o estudo, a maior concentração de anúncios está entre o Leblon e o Leme. A maioria corresponde a imóveis inteiros disponíveis para locação, enquanto uma parcela menor é formada por quartos ou apartamentos compartilhados.
Depois de Copacabana, a Lapa aparece como o bairro com maior densidade de anúncios, com 1.307 imóveis por quilômetro quadrado, seguida por Ipanema (1.168), Leme (888) e Leblon (866).
Na Zona Oeste, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes também figuram entre os dez bairros com mais anúncios, embora apresentem densidades menores devido à maior extensão territorial.
O levantamento identificou ainda anúncios em 134 favelas da cidade, principalmente nas comunidades do Vidigal, Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, na Zona Sul.
A expansão do mercado acompanha o crescimento do turismo na capital fluminense. Dados da Prefeitura do Rio mostram que, apenas no primeiro semestre deste ano, quase 6,5 milhões de visitantes movimentaram R$ 17,2 bilhões na economia carioca.
Em contrapartida, a oferta de imóveis para locação tradicional caiu 31,8% entre 2023 e 2026 e os preços ficaram mais caros no Rio.
Pamella Simone administra mais de 70 imóveis para aluguel por temporada, a maior parte na região portuária do Rio. Além da gestão das hospedagens, ela diz que o serviço envolve atendimento constante aos visitantes.
“A gente tem uma demanda de atendimento, manutenção e orientação. Então, oferece serviço ao cliente, tem cuidado de orientar sobre pontos turísticos, academia e faz um guia para ele”, afirma.
Para a pesquisadora da UFRJ e diretora de pesquisa e comunidade da Inside Airbnb, Aline Cruvinel, o estudo mostra que o mercado tem passado por um processo de profissionalização.
“Alguns dos sinais desse processo de comercialização ou profissionalização desse mercado são a predominância de imóveis inteiros na plataforma, a predominância de vários anúncios gerenciados por um mesmo anfitrião também”, explica.
Ela avalia que o avanço do aluguel por temporada deve ampliar a discussão sobre a regulamentação da atividade.
“A tendência é que o debate regulatório se intensifique por conta da pressão que o aluguel de temporada exerce sobre o aluguel residencial de forma geral, principalmente pela influência de parâmetros relacionados à economia externa. Então, por exemplo, o poder aquisitivo de visitantes estrangeiros que acabam pressionando o aluguel residencial e aumentando os preços. Então, isso acaba impactando a população local e com o aumento do aluguel, a tendência é que o debate sobre regulação se intensifique.”
Copacabana concentra maior densidade de aluguel por temporada do mundo
Reprodução/RJ2
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