Reunião entre trumpista radical e chanceler brasileiro deu samba

Marco Rubio e Mauro conversaram nos EUA sobre tarifaçoReprodução/Youtube

Nos últimos dez meses, desde que assumiu a Secretaria de Estado norte-americano, o equivalente ao Ministério das Relações Exteriores, Marco Rubio acumulou uma série de declarações ofensivas ao Brasil.

Um dos mais radicais aliados de Donald Trump, ele já declarou, em tom de ameaça, que a Casa Branca responderia “adequadamente” à condenação de Jair Bolsonaro (PL) por liderar uma tentativa de golpe de Estado. Para Rubio, o ex-presidente era vítima de uma “campanha crescente de opressão judicial”.

Na linguagem diplomática, o pitaco no quintal alheio equivalia a estacionar um bonde na garagem do vizinho sem pedir licença.

Por isso bolsonaristas comemoraram quando Trump designou Rubio para ser o interlocutor do país nas conversas com o chanceler Mauro Vieira na tentativa de reverter o tarifaço contra exportações brasileiras.

Achavam, no mínimo, que o secretário colaria um cartaz escrito “me chute” nas costas do visitante para postar nas redes e incendiar a quinta série.

Não foi bem o que aconteceu.

Relatos de quem esteve no encontro – Vieira entre eles – apontam que Rubio se comportou como mocinho. Não mostrou a língua, não chorou para escovar os dentes nem fez birra para ir ao encontro com a camiseta do Homem-Aranha.

Pelo contrário, se sentou à mesa e conversou como gente grande. Foram, segundo o Itamaraty, “conversas muito positivas sobre comércio e questões bilaterais em curso”.

Em nota, o ministério afirmou que o secretário topou trabalhar em colaboração e ajeitar as bases para um possível encontro presencial entre o presidente Lula (PT) e Donald Trump.

A postura surpreendeu até os enviados brasileiros, que esperavam uma postura mais agressiva do interlocutor.

Não se sabe o que o Brasil ofereceu aos anfitriões em troca de alguma civilidade. O Cristo Redentor? O Rio de Janeiro todo? O trio de ataque da seleção? Ou mais boa vontade no desejo de exploração de minérios de terras raras?

Mistério.

O temor de encontros pessoais do tipo é que os convidados caiam em uma armadilha como aconteceu com Volodymyr Zelensky, que foi negociar uma saída honrosa do conflito entre Ucrânia e Rússia e saiu humilhado publicamente – para deleite de quem votou em Trump justamente para ver cenas do tipo.

Os bons modos devem ser vistos sempre com desconfiança.

Enquanto negocia com o Brasil, o governo dos EUA ameaçam atacar a Venezuela com mobilização de tropas e planos de interferência via CIA, a agência de espionagem norte-americana.

A justificativa é uma conversa que não convence nem a velhinha de Taubaté.

Com essa turma é preciso pé atrás. Os dois, se for possível.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

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