
Lula (PT) anunciou nesta terça-feira (23), em visita ao presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, o que até as emas do Palácio do Alvorada já sabiam: em 2026 ele vai buscar um quarto mandato como chefe do Planalto.
Quem não sabia era a comunidade internacional, a quem ele discursou ao lado do anfitrião.
Se, na gestão anterior, de Jair Bolsonaro (PL), os chefes da diplomacia enchiam o peito para dizer que o Brasil era “pária” no mundo, Lula faz questão de listar quantos países visitou e quantos acordos comerciais fechou neste terceiro mandato.
Nesses giros o petista funciona como garoto-propaganda dos produtos nacionais. Em solo indonésio, o quarto país mais populoso do Planeta e hoje integrante do Brics, o presidente abriu as portas para a exportação de proteína animal.
Ao anunciar que estará em campo no ano que vem, mesmo com 80 anos, ele comunica que não pretende tirar o time de campo tão cedo. Até então o presidente mais velho a ocupar a Presidência desde Marechal Deodoro foi Michel Temer, que deixou o posto em 2019 aos 78 anos e três meses – “recorde” que Lula bateu no ano passado.
Presidentes em exercício geralmente fazem mistério para anunciar o desejo de concorrer à reeleição. Ou negam sem corar a essa altura do campeonato. Em parte para esconder o jogo dos adversários, em parte para não ter os atos como gestor confundidos com bandeiras de campanha.
Lula preferiu assumir a candidatura para, em vez de confundir, jogar pressão sobre os opositores. Seu maior oponente, Jair Bolsonaro, está fora do páreo e com um pé na cadeia.
E, enquanto não decide logo quem será seu substituto, os candidatos a candidatos se estropiam entre si.
O anúncio de Lula foi feito em um momento em que a oposição, embora mobilizada no Congresso para derrubar as pautas do governo, está nas cordas diante da conspiração movida contra o próprio país por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a mando do pai, nos Estados Unidos. Eduardo sonha com a indicação, mas passará a campanha sob a pecha de que agiu para prejudicar o próprio país, com sanções e tarifas econômicas, em sua incursão pela Casa Branca de Donald Trump.
Ele escapou, na véspera, da cassação ao ter o processo arquivado no Conselho de Ética. Foi um presente para Lula, que senta e observa sozinho o escracho dos oponentes que ainda temem Bolsonaro e aliviam para o filho malcriado.
De onde está, Eduardo e os irmãos prometem jogar pedras em qualquer um que tente subir a escada da indicação sem as bênçãos do clã. Já acertaram até a testa de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o mais provável postulante – mas que hoje come poeira nas pesquisas de intenção de voto.
Enquanto o outro lado bate-cabeça, Lula toma a dianteira. Avisa os eleitores (os indecisos convencidos de última hora, principalmente) e a comunidade internacional que não precisam ter dúvida sobre o que (e quem) estará na disputa no ano que vem.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG
