Sem citar diretamente a Venezuela, Trump diz que fará ação terrestre contra cartéis em breve


EUA bombardeiam mais um barco no Pacífico
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (23) que deve fazer ações militares terrestres contra cartéis. Ele não citou diretamente a Venezuela. Segundo o presidente, o assunto deve ser discutido com o Congresso.
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O anúncio foi feito um dia após o bombardeio de um barco no Oceano Pacífico, o nono ataque do tipo ocorrido na América do Sul. Segundo o Departamento de Guerra, a embarcação transportava drogas. Três pessoas morreram.
O ataque foi o segundo em menos de 48 horas na região. Na terça-feira (21), outro barco foi bombardeado por militares americanos, deixando dois mortos. O ataque aconteceu perto da Colômbia, mas em águas internacionais, segundo a imprensa norte-americana.
➡️ A ofensiva do governo do presidente Donald Trump contra o tráfico de drogas na região tem escalado nos últimos dias. Até então, os bombardeios haviam sido feitos apenas na região do Caribe, perto da costa venezuelana.
➡️ Os EUA dizem que a ofensiva mira o tráfico internacional de drogas. Mas também acusam Nicolás Maduro de liderar um cartel classificado como organização narcoterrorista. Maduro nega. O presidente norte-americano diz ter autorizado, por exemplo, operações secretas da Agência Central de Inteligência (CIA) em território venezuelano.
➡️ Depois, Trump também acusou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, de também ser um traficante, que falha no combate aos narcóticos em seu país. Petro também negou as acusações.
Mapa mostra local aproximado de ataques dos EUA no Oceano Pacífico, perto da costa da Colômbia, em 22 de outubro de 2025.
arte/ g1
Questionado na quarta (22) sobre se os EUA têm autoridade para realizar tais ataques, Trump respondeu que sim. O presidente justificou as ações afirmando que 300 mil pessoas morreram nos EUA por problemas relacionados às drogas.
Ele disse que os ataques no mar vão fazer com que os traficantes comecem a agir por terra, e que ordenará ações por terra, com o aval do Congresso.
“Nós vamos atingi-los muito forte quando eles vierem por terra. E provavelmente iremos ao Congresso e explicaremos exatamente o que estamos fazendo, quando chegarmos por terra.”
A presença militar americana no Caribe inclui ainda destróieres com mísseis guiados, caças F-35, um submarino nuclear e cerca de 6,5 mil militares.
EUA bombardeiam 2º barco no Oceano Pacífico
Departamento de Guerra
Violações ao direito internacional
Nas últimas semanas, as ofensivas americanas foram criticadas por analistas. Na terça-feira (21), um grupo independente de especialistas na Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que os bombardeios violam o direito internacional e são execuções extrajudiciais.
O grupo, nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos, disse que os ataques violam a soberania do país sul-americano e as “obrigações internacionais fundamentais” dos EUA de não intervir em assuntos domésticos ou ameaçar usar força armada contra outro país.
Apesar da justificativa de Trump de combater o tráfico de drogas, os especialistas apontam que “mesmo que tais alegações fossem comprovadas, o uso de força letal em águas internacionais sem base legal adequada viola o direito internacional do mar e equivale a execuções extrajudiciais”.
“Esses movimentos são uma escalada extremamente perigosa com graves implicações para a paz e a segurança na região do Caribe”, disseram eles em um comunicado.
O grupo afirmou ter entrado em contato com os EUA sobre o assunto e disse que uma ação militar secreta ou direta contra outro Estado soberano constituiria “uma violação ainda mais grave” da Carta da ONU.
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