
O deputado estadual Lucas Bove (PL) e a ex-esposa Cintia Chagas: processo de violência doméstica na Justiça.
Montagem/g1/Reprodução/Alesp/Instagram
Ao denunciar o deputado estadual Lucas Diez Bove (PL) por perseguição, violência psicológica, violência física e ameaça em relação à ex-esposa Cintia Chagas, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu que a Assembleia Legislativa paulista (Alesp) tome providências frente ao que chama de “reiterados descumprimentos de decisão judicial”.
A promotora Fernanda Raspantini Pellegrino pede que a Justiça paulista oficie a Alesp “a fim de que se verifique a adoção de eventuais providências cabíveis, noticiando que ao requerido está sendo imputada a prática de crimes no contexto de violência contra a mulher, em duas ações penais”.
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Segundo a promotora, Lucas Bove tem descumprido as medidas protetivas concedidas em favor de Cintia Chagas “cada vez de forma mais ostensiva, demonstrando claro desprezo às restrições judiciais impostas”.
Por causa do descumprimento, ela pediu que a Justiça também decrete a prisão preventiva do parlamentar já que, “a mera vigência de medidas protetivas não está sendo suficiente”.
“O denunciado, em que pese devidamente advertido, passou a descumprir as medidas protetivas de forma cada vez mais gravosa, de modo que, no começo, buscava publicar em rede social indiretas envolvendo a vítima e a existência e conteúdo do processo. Mas, com o decorrer do tempo, o denunciado não só foi reincidindo na empreitada criminosa, como também chegou ao extremo de ignorar por completo a vigência das medidas protetivas”, escreveu Pellegrino.
O g1 procurou a Alesp para comentar o pedido da promotora e aguarda posicionamento da casa legislativa.
A defesa do parlamentar disse na noite de quinta (23) que o parlamentar não vai se manifestar em relação à denúncia.
Cintia Chagas é uma influenciadora com mais de 7,6 milhões de seguidores nas redes sociais e, no ano passado, prestou queixa contra o deputado e relatou uma série de abusos físicos e psicológicos durante o relacionamento de mais de dois anos que teve com o político.
Representação arquivada
Deputados do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Divulgação/Alesp
Lucas Bove já foi alvo de uma denúncia no Conselho de Ética da Alesp por queda de decoro parlamentar nesse caso de violência doméstica.
No entanto, no final de agosto, os deputados estaduais que formam o Conselho de Ética decidiram arquivar a representação por 6 votos contra 1.
A denúncia da deputada Mônica Seixas (PSOL) pedia a cassação de Bove. A única parlamentar que foi a favor da cassação foi Ediane Maria, também do PSOL.
Votaram contra o prosseguimento da denúncia na Alesp os seguintes deputados:
Oseias de Madureira (PSD)
Carlos Cezar (PL)
Dirceu Dalben (Cidadania)
Eduardo Nóbrega (Podemos)
Rafael Saraiva (União Brasil)
Delegado Olim (PP)
Dias depois do arquivamento do pedido de cassação pelo Conselho de Ética, Lucas Bove e Mônica Seixas se envolveram num grande bate-boca no plenário da Alesp (veja vídeo abaixo).
Por causa da confusão, os trabalhos no plenário tiveram que ser suspensos a fim de acalmar os ânimos dos dois lados.
Deputados Lucas Bove e Mônica Seixas batem boca no plenário da Alesp
