
Carro usado por Geovani Schaeffer após atropelamento em Juiz de Fora, foto de arquivo
Corpo de Bombeiros/Divulgação
Neste mês de setembro, completam-se dois anos do atropelamento ocorrido durante o Torneio Leiteiro realizado no estacionamento do Estádio Municipal de Juiz de Fora, que deixou três pessoas mortas e várias outras feridas.
Geovani Schaeffer, à época com 24 anos, dirigia o carro que atingiu os participantes da festa. Ele continua preso no presídio de Eugenópolis desde 27 de outubro de 2023 e será levado a júri popular, ainda sem data marcada.
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A decisão sobre o julgamento foi tomada durante uma audiência realizada em fevereiro deste ano. Segundo o processo, assinado pela juíza Joyce Souza de Paula, o motorista responderá por:
Homicídio consumado (3 vítimas fatais): Dionizia Marinho Lopes e Elear Maria Faião (duas vezes qualificadas), e Helena Peters de Macedo, uma criança de 3 anos (qualificada, inclusive, contra menor de 14 anos)
Tentativa de homicídio (8 vítimas sobreviventes)
As qualificadoras mantidas incluem motivo fútil (em razão de uma briga anterior), perigo comum (devido à aglomeração de pessoas), e recurso que dificultou a defesa das vítimas (entrando em alta velocidade em área exclusiva para pedestres).
A juíza também cita que “há provas suficientes para o réu ser julgado pelo tribunal do júri, por agir com intenção de matar (homicídio doloso) e não em decorrência de um acidente de trânsito”.
Veja abaixo alguns pontos citados no processo:
O acusado Geovani Schaeffer se envolveu em uma confusão/briga
Ele deixou o local e, pouco depois, retornou ao volante de um VW Gol, em alta velocidade
Ao voltar, afirmou que iria “acabar com essa festa”
O acusado destruiu obstáculos metálicos e invadiu uma área destinada exclusivamente à circulação de pedestres
Avançou em linha reta na direção da maior aglomeração de pessoas, exatamente onde havia ocorrido a briga
Testemunhas relataram que ele não tentou frear nem desviar do público
O veículo só parou após bater em outros dois automóveis
Ainda durante o processo, a defesa de Geovani Schaeffer solicitou a realização de um exame de sanidade mental. O resultado foi negativo e, por isso, o réu não foi considerado inimputável — pessoa incapaz de discernir os próprios atos — e vai responder pelo crime.
Em nota, o advogado Walmir da Silva disse que não vai se pronunciar e que aguarda a análise de um recurso para tentar desclassificar o crime de doloso para culposo, como acidente de trânsito.
ENTENDA:
Um crime doloso é aquele em que a pessoa tem a intenção de cometer;
Um crime culposo acontece quando a pessoa não tem a intenção de cometer, mas ele acontece por negligência, imprudência ou imperícia.
Resumo do caso: relembre o que aconteceu
Vídeo mostra momento em que motorista retorna e invade torneio leiteiro em Juiz de Fora
Segundo o Boletim de Ocorrência (BO) registrado na época, o motorista se envolveu em uma briga com desconhecidos na madrugada do dia 9 de setembro de 2023, quase no encerramento do evento, que acontecia no Estacionamento do Estádio Municipal.
Geovani Schaeffer, então, deixou a festa, buscou o carro, entrou no local em alta velocidade e atropelou as pessoas que estavam à frente.
Inicialmente, foi informado que 12 pessoas haviam sido atropeladas, mas o processo cita uma a menos — ou seja, 11. Três morreram e oito ficaram feridas.
Dionizia Marinho Lopes, de 56 anos, morreu no dia do atropelamento
Helena de Macedo, de 3 anos, no colo da mulher, foi socorrida, mas faleceu na madrugada do dia 11 de setembro daquele ano
Já Elear Maria Faião, de 58 anos, que também foi atingida pelo carro, morreu quase 25 dias após o atropelamento
Um dos feridos é Carlos Damião Clemente, que na época tinha 43 anos. À TV Integração, ele chegou a contar sobre o demorado processo de recuperação.
Após o crime, o motorista foi espancado e socorrido em estado grave para o HPS, onde precisou ser entubado e permaneceu hospitalizado por aproximadamente 50 dias. No dia 27 de outubro de 2023, ele teve alta e foi encaminhado ao Presídio de Eugenópolis, onde permanece até hoje.
Geovani Schaeffer ainda tem passagens criminais por agressão à ex-companheira e por desentendimento familiar.
RELEMBRE O CASO
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