
Brics chega a sua 17ª com dilema entre apostar na multipolarização ou ser voz anti-Ocidente
Prime Ministers Office/ZUMA Press/picture alliance
A quebra do pacto multilateral e o fortalecimento de grupos econômicos como o Brics – efeitos do “tarifaço” promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump- são temas que podem ser amplamente abordados nos vestibulares, segundo a professora de geografia e atualidades no Colégio Oficinal do Estudante, Rafaela Locali.
🔎 O Brics é um grupo de países emergentes que inclui Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã.
“A gente vem observando o enfraquecimento de várias instituições importantes, como a ONU e a OMC com os anúncios do Trump. […] isso causa uma instabilidade global e o enfraquecimento, uma fragilidade, dessas grandes instituições multilaterais. A gente vê isso. Por outro lado, a gente vê ressurgir uma forte aliança do Sul Global chamada Brics”, explica Rafaela Locali.
🌎 Ao g1, a professora detalhou como o tema pode aparecer nas provas deste ano e deu dicas do que estudar na reta final. Veja a seguir.
A força do sul global
Locali lembra que, ao menos desde a pandemia de Covid-19, quando Trump, ainda no primeiro mandato, ameaçou sair da Organização Mundial da Saúde (OMS), o pacto das relações multilaterais começou a ruir.
Somado a isso, ações recentes do presidente norte-americano contra instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) causaram instabilidade global.
💡 Entenda: o pacto das relações multilaterais é o conjunto de princípios e acordos que orientam a cooperação entre vários países. Ele busca resolver problemas globais por meio do diálogo, da negociação e de regras comuns.
Em contrapartida, o Sul Global, liderado pelo BRICS, ganhou espaço. “Não deixa de ser um grupo de países com relações multilaterais, em prol de um interesse comum, que é melhorar as suas economias […] a gente vê um protagonismo em PIB, em população, em área, em tecnologia, claro, bastante encabeçado pela China, mas a Índia vem crescendo o PIB absurdamente”, comenta.
📝 Para revisar o tema, a professora sugere:
Linha do tempo conceitual: revisar a velha ordem mundial (o mundo bipolar da Guerra Fria entre EUA e União Soviética) e a nova ordem mundial (pós-anos 1990, com o fortalecimento multilateral facilitado pela globalização).
BRICS e sua expansão: estudar os membros e a relevância regional e econômica de cada um.
Multipolaridade: entender como a força do BRICS e de outros grupos regionais cria um cenário de alianças econômicas e militares mais complexo e descentralizado.
O mapa “invertido” do IBGE
Mapa-múndi com Brasil no centro
IBGE/Divulgação
Um dos maiores indícios do protagonismo do Sul Global, segundo a professora, é a recente publicação de um mapa-múndi invertido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Locali considera essa como uma “aposta fortíssima” para as provas.
Ela explica que o mapa, além de não ser eurocêntrico, coloca o Sul para cima e o Brasil no meio. “Em ano em que foi sede dos Brics, o Brasil está na presidência [do grupo], o Brasil vai sediar COP 30 […] O IBGE me lança esse mapa mega importante,” pontua Locali.
📝 Além do Brasil e da ênfase no Sul Global, o mapa também destaca (e vale a pena revisar):
Os países do Mercosul e do Brics.
A zona econômica exclusiva brasileira, que ganhou uma extensão de mais de 3 mil km na margem equatorial.
Tecnologia e a geopolítica de recursos
Terras raras e mineração: qual o impacto ambiental?
Outro tema que pode aparecer nas provas, segundo a professora, é a relação entre o rompimento multilateral, a disputa por tecnologia e os recursos considerados essenciais para a transformação digital.
🌎 Na geopolítica, a briga se concentra em dois eixos:
Terras raras: minerais utilizados na fabricação de componentes de alta tecnologia. O Brasil, com a descoberta de reservas em Minas Gerais e estados da região Norte, se tornou o segundo país com as maiores reservas do mundo.
Fontes de Energia: grandes data centers demandam muita energia e água para resfriamento, levando países como os EUA a buscar negociações com nações com alta capacidade energética, como o Paraguai (Itaipu).
A professora finaliza lembrando a importância da regulamentação das Big Techs, um debate que envolve a liberdade das redes sociais, os perigos das deepfakes e as discussões filosóficas e econômicas sobre a restrição de dados.
“Quanto mais regulamenta, menos problemas como fake news e deepfakes, isso restringe muito o acesso e menos gente, é menos dinheiro entrando para as big techs, é tudo que elas não querem. Então essa é a lógica de mercado”, conclui.
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