Moda brasileira ainda falha em transparência climática, aponta estudo

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O setor da moda no Brasil segue com baixa transparência em relação a clima e direitos trabalhistas, segundo o Índice de Transparência da Moda Brasil, do Fashion Revolution Brasil. O estudo avaliou 60 grandes marcas e encontrou média geral de apenas 24%. O quadro indica resistência em divulgar informações essenciais sobre emissões de gases de efeito estufa e políticas para proteger trabalhadores.

Além disso, o levantamento mostra que 27 empresas não publicam dados mínimos sobre emissões, uso de energia renovável ou estratégias para mitigar riscos sociais na cadeia de fornecimento. Nesse sentido, a coordenadora de pesquisa, Isabella Luglio, afirma que a moda e a crise climática são indissociáveis, e que o prazo do Acordo de Paris se aproxima com urgência para ações concretas.

O setor de moda está assumindo compromissos reais

O índice analisou cinco frentes consideradas críticas para a transformação do setor, que incluem rastreabilidade, emissões, metas de descarbonização e desmatamento zero, uso de energia limpa e medidas de transição justa. Houve algum avanço em transparência sobre emissões e em metas aprovadas por iniciativas científicas, assim como em divulgação do uso de energia renovável. Por outro lado, os resultados mostram que a mudança ainda é tímida e desigual entre as empresas avaliadas.

A seção de transição justa obteve o pior desempenho, com 65% das marcas marcando zero, sem apresentar qualquer iniciativa para proteger trabalhadores mais expostos a eventos climáticos extremos. Enquanto isso, a ausência de políticas de desmatamento zero e a opacidade sobre a origem de matérias primas, evidenciam gargalos persistentes que podem ampliar riscos socioambientais e legais ao longo da cadeia.

Quais números precisam entrar no radar, no setor de moda

  • Apenas 12% das marcas mostram redução real de emissões em relação ao ano base de suas metas;
  • Somente 27% publicam metas climáticas validadas cientificamente;
  • 80% não possuem compromissos públicos de desmatamento zero;
  • Apenas 23% divulgam a origem de ao menos uma matéria prima da cadeia;
  • As emissões de Escopo 3 de 22 marcas somam, 59,3 milhões de toneladas de CO₂, volume superior ao de um país como Portugal.

Quem lidera e quem ficou para trás

Renner e Youcom aparecem no topo com 76% de transparência, seguidas por Adidas, Ipanema e Melissa com 65%. Além disso, o estudo lista 27 empresas com pontuação zero, entre elas Amaro, Besni, Brooksfield, Colcci, Dumond, Ellus, Havan, Torra, entre outras, o que indica ausência total de divulgação sobre compromissos climáticos e sociais. Esse contraste sugere que parte do setor já enxerga valor estratégico na transparência, enquanto outra parte permanece resistente a abrir dados ao público.

Nesse sentido, a falta de divulgação não impede apenas o escrutínio da sociedade e de investidores como também dificulta a coordenação de políticas empresariais ao longo da cadeia. A consequência é um ambiente em que metas de clima e direitos trabalhistas ficam desancoradas de métricas auditáveis e em que riscos reputacionais e jurídicos tendem a se acumular com impactos potenciais para valor de marca, custo de capital e acesso a mercados.

Sem transparência não há transição

O novo retrato do Fashion Revolution Brasil, sinaliza que a moda nacional precisa transformar discurso em prática, com metas claras, cronogramas públicos e prestação de contas periódica. A proximidade do horizonte do Acordo de Paris e a materialidade dos riscos climáticos, tornam a transparência um pré requisito para qualquer estratégia de sustentabilidade. Em resumo, o setor tem diante de si uma escolha que envolve credibilidade, competitividade e responsabilidade com o meio ambiente e com os trabalhadores que sustentam a cadeia produtiva.

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