
A pedido da Colômbia, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu nesta segunda-feira, em Nova York, para discutir a crise na Venezuela.
Como esperado, cada ator ali envolvido fez o seu papel. Brasil, China e Rússia repudiaram a ação militar liderada por Donald Trump que bombardeou instalações militares, sequestrou Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, e deixou ao menos 40 mortos.
Os acusados fingiram que não era com eles. Guerra, que guerra?, disse o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz.
Segundo ele, o que aconteceu em Caracas foi uma ação policial para proteger os norte-americanos do narcoterrorismo – e para evitar que as reservas energéticas da região sigam nas mãos de inimigos.
Waltz assumiu ali o papel que Trump imagina ser de seu próprio país: a de policial/xerife do mundo. Falta explicar quem concedeu este mandato.
Historicamente cabe à ONU estabelecer freios e dizer que não se pode invadir o quintal do amiguinho sem a autorização do Conselho de Segurança e nem de seu Congresso.
Antonio Gutierrez, o diretor-geral da entidade, pode até dizer. Sabe quem vai ouvir? Ninguém.
A própria Venezuela vai espernear como pode. Ao menos diante da plateia. Enquanto isso, Maduro negocia asilo em Belarus e a presidente interina, Delcy Rodriguez, já dá sinais de que não quer guerra com ninguém.
A reunião do Conselho de Segurança virou, assim, uma missa de corpo presente da própria ONU.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG
