
A polícia civil de São Paulo investiga uma morte por suspeita de intoxicação por metanol
A Polícia Civil de São Paulo prendeu na segunda-feira (5), por ligação clandestina de energia elétrica e armazenamento irregular de fogos de artifício, o dono de uma adega que também é investigado por suspeita de envolvimento na morte de uma adolescente venezuelana, na semana passada.
A informação foi confirmada nesta terça-feira (6) pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). Ele foi detido pelas irregularidades no estabelecimento comercial.
“O [dono do] estabelecimento é investigado por envolvimento na morte de uma adolescente de 15 anos ocorrida após a ingestão de bebida alcoólica”, informa trecho da nota da pasta da Segurança. “No local, foram apreendidos 17 caixas contendo fogos de artifício. A autoridade policial representou pela conversão da prisão em preventiva do indiciado à Justiça”, informa trecho da pasta da Segurança.
Até a última atualização desta reportagem a Justiça não havia decretado a prisão preventiva do proprietário da adega.
Soffia Del Valle Torrealba Ramos, de 15 anos, morreu no sábado (3) após passar mal depois de beber gin comprado por amigos dela, na quinta-feira (1º), na adega, que fica em Cidade Tiradentes, Zona Leste. A Polícia Científica apura se a bebida estava adulterada por metanol, produto tóxico que a teria matado. O resultado dos exames periciais ainda não ficou pronto.
O nome do proprietário da adega não foi divulgado. A equipe de reportagem tenta localizar a defesa dele para comentar o assunto.
Garrafas apreendidas
Bebida apreendidas em adega onde amigos de menina que morreu compraram gin
Divulgação
Ainda na segunda-feira, policiais tinham ido até a adega e apreenderam diversas garrafas de bebidas destiladas, como uísque, gin, rum e vodka. Elas passarão por análise pericial para saber se têm metanol na fórmula. O total de garrafas apreendidas não foi informado.
O caso de Soffia é investigado pelo 54º Distrito Policial (DP), Cidade Tiradentes, por enquanto, como morte suspeita a esclarecer. O caso ainda não foi concluído.
Segundo a polícia, Soffia saiu de casa com uma prima de 13 anos para se encontrar com quatro amigos (dois adolescentes de 15; e duas mulheres de 33), que tinham comprado bebidas na adega, para comemorar o ano novo. Todos beberam na casa de um dos amigos, mas só Soffia passou mal.
Delegacia investiga adega por suspeita de vender bebida adulterada que teria intoxicado adolescente de 15 anos
Reprodução/Google Maps
De acordo com a ficha médica do hospital para onde ela foi levada e ficou internada, a possível causa da morte pode ter sido por “intoxicação por metanol”, associada a algum tipo de remédio, que provocou “disfunção renal”, levando ao acúmulo de substâncias ácidas no corpo.
A Polícia Técnico-Científica também fez exames necroscópico e toxicológico no corpo da adolescente para ajudar a descobrir o que a matou.
As cinco pessoas que estavam com ela antes de morrer serão ouvidas pela polícia. Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que “testemunhas foram identificadas e serão ouvidas para o devido esclarecimento dos fatos.”
‘Quero saber o que aconteceu’
Mãe de venezuelana morta por suspeita de metanol pede respostas
Soffia chegou a São Paulo em 2019 com a família vindos da Venezuela. Ela morava numa casa na Zona Leste com a mãe, as duas irmãs e o padrasto, todos venezuelanos.
A garota gostava de jogar futebol e havia feito 15 anos em 2 de junho do ano passado. O sepultamento dela será nesta terça-feira (6) no Cemitério da Saudade, em São Miguel Paulista.
“Minha dor é grande e quero saber o que aconteceu”, disse na segunda-feira à TV Globo a mãe da adolescente morta, Nelkis Dl Valle Ramos Hernandez, de 36 anos.
Nelkis e a filha Soffia no aniversário de 15 anos da adolescente
Reprodução/Arquivo pessoal
Soffia tinha 15 anos, era venezuelana e gostava de jogar futebol
Reprodução/Arquivo pessoal
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