Moradores de Bujaru e Acará, no PA, fecham av. em Belém contra instalação de ‘lixão’ para atender região metropolitana


PM reforça segurança em área de protesto em frente ao Palácio do Governo, em Belém
Moradores dos municípios de Bujaru e Acará, no nordeste do Pará, iniciaram um protesto na manhã desta quinta-feira (25) em frente ao Palácio do Governo, na avenida Almirante Barroso, uma das principais vias de Belém.
Até 15h30, na última atualização da reportagem, a via continua bloqueada no sentido do Entroncamento. O policiamento foi reforçado na área, com viaturas e agentes policiais.
Os manifestantes são contrários à instalação de um aterro sanitário na região, que deve atender a coleta de resíduos da região metropolitana de Belém.
O processo de instalação do novo aterro está sob licenciamento ambiental junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), sem previsão para começar a operar. Já a empresa responsável disse que “atende rigorosamente ao processo de licenciamento ambiental” – veja posicionamento completo ao final.
Enquanto um novo espaço não é destinado para o recebimento de resíduos sólidos, o lixo domiciliar continua sendo despejado em Marituba, e os entulhos, no “Lixão do Aurá”.
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Desde agosto de 2022, comunidades quilombolas, ribeirinhas e outros grupos tradicionais se articulam para impedir a instalação do “lixão”, por temerem impactos ambientais e sociais nas comunidades próximas. Eles denunciam supostas irregularidades no processo de licenciamento conduzido pela Semas. O g1 solicitou nota da secretaria, e aguardava retorno até a última atualização da reportagem.
Várias pessoas ocuparam a Avenida Almirante Barroso, em Belém, na manhã desta quinta-feira (25), em protesto contra a instalação de um aterro sanitário nos municípios de Acará e Bujaru.
Diego Feitosa/TV Liberal
Um dos primeiros protestos ocorreu ainda em 2022, com a interdição da Alça Viária, no sentido Belém-Barcarena. A Semas informou, na época, que não havia processo de licenciamento em andamento para o empreendimento em Bujaru.
Na ocasião, a liderança quilombola do município de Acará, Oseas Rosário, afirmou que o projeto ameaça diretamente a qualidade de vida das comunidades locais.
“Isso é uma ameaça pra gente. Fora os problemas sociais com relação à saúde, porque aqui nós respiramos um ar puro e isso pode acabar”, declarou.
Em setembro de 2023, os manifestantes bloquearam o trânsito na PA-483, no nordeste do Pará, bloqueando as duas vias da estrada com troncos e pedaços de madeiras.
O ato, organizado por comunidades quilombolas, ribeirinhas e outros grupos tradicionais, denuncia supostas irregularidades no processo de licenciamento conduzido pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).
Diego Feitosa/TV Liberal
MPF recomendou suspensão de audiência pública
Em agosto deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Governo do Pará e à Semas que a audiência pública sobre o projeto, marcada para o dia 19 daquele mês, fosse suspensa de forma imediata.
De acordo com o MPF, dezenas de comunidades quilombolas e ribeirinhas ainda não haviam sido consultadas, como determina a Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI), prevista em tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.
Medo de impactos ambientais e à saúde
Aterro Sanitário de Marituba
Reprodução/Ministério Público do Estado do Pará
O aterro de Marituba teria encerrado as atividades em 31 de agosto, se não fosse uma decisão judicial prorrogando o funcionamento por mais três meses, até o fim novembro.
A medida foi tomada pois nenhum novo local foi providenciado pelos gestores públicos para receber as toneladas de lixo gerados pelos moradores de Belém, Ananindeua e Marituba.
Todo o material é descartado em um aterro sanitário em Marituba desde 2015. O local já esgotou a capacidade prevista.
Este é o único aterro no Pará licenciado pela Semas e há comunidades e balneários com igarapés próximos.
O aterro foi instalado para resolver o problema do lixão do Aurá, onde toneladas de lixo eram descartados sem nenhum tratamento. Até hoje há lixo na área.
Desde a instalação do aterro em Marituba, moradores que vivem próximo ao local reclamam do mau odor e de problemas respiratórios. O aterro também foi alvo de investigações por conta de possíveis danos ambientais na área.
O que diz a empresa responsável
Em nota, a empresa Revita Engenharia S.A., responsável pelo projeto da Unidade de Valorização Sustentável (UVS) Bujaru, disse que, assim como os manifestantes, “é totalmente contrária aos lixões” e disse que “atende rigorosamente ao processo de licenciamento ambiental, que é acompanhado pela Semas, em conformidade com a lei”.
Ainda segundo a nota, “o projeto é uma solução moderna e segura para a destinação correta dos resíduos da região metropolitana de Belém, contribuindo para o encerramento dos lixões a céu aberto existentes na região que são responsáveis por graves problemas socioambientais”.
A Revita disse, ainda, que “vem mantendo diálogo e realizando reuniões com comunidades, instituições e órgãos públicos para licenciar o projeto Central de Tratamento de Resíduos Bujaru”.
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