Sobe para 192 o número de mortos em manifestações no Irã

Protestos no Irã deixam dezenas de mortosReprodução/DW

Ao menos 192 pessoas morreram durante as manifestações contra o governo do Irã, informou neste domingo (11) a ONG Iran Human Rights. O número pode ser ainda maior, já que o país enfrenta um bloqueio quase total da internet e severas restrições ao acesso à informação.

Segundo a agência Human Rights Activists News Agency, as vítimas teriam sido mortas após serem atingidas por disparos de munição real ou balas de chumbo. A organização também estima que mais de 2,5 mil pessoas foram presas em todo o país desde o início das manifestações, há cerca de duas semanas.

Os protestos generalizados contra o regime do aiatolá Ali Khamenei foram motivados por uma grave crise econômica. No último ano, a moeda iraniana perdeu cerca de metade de seu valor frente ao dólar, enquanto a inflação atingiu 40% em dezembro, período em que as manifestações começaram.

Em meio à repressão, o Judiciário iraniano, por meio do procurador-geral do país, Mohammad Kazem Movahedi Azad, teria ameaçado os manifestantes com pena de morte, sob a acusação de “inimizade contra Deus”.

Apesar do bloqueio à internet, vídeos esporádicos enviados a partir de cidades como Teerã, Mashhad, Isfahan e Yazd têm circulado nas redes sociais. As imagens, transmitidas por meio do Starlink ou outras alternativas, indicam que os protestos continuam, segundo a agência DW.

EUA podem intervir nos protestos

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump voltou a se manifestar sobre a situação no Irã e advertiu o regime a não reprimir os protestos. No sábado, afirmou que os EUA “estão prontos para ajudar”. De acordo com o New York Times, Trump foi informado nos últimos dias sobre novas opções de ataques militares, segundo autoridades americanas ouvidas pelo jornal.

Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que, em caso de uma ofensiva militar dos EUA, alvos israelenses, além de bases militares e centros de transporte americanos, seriam considerados “alvos legítimos”. Ele reiterou que o Irã pode agir de forma preventiva. “No âmbito da legítima defesa, não nos limitamos a responder apenas depois de um ataque”, declarou à televisão estatal.

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