
Após a determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o terreno que pertence ao Teatro de Contêiner, na capital paulista, deve voltar ao controle da prefeitura. Segundo a juíza Nandra Machado, responsável pela decisão, que foi proferida nesta segunda-feira (12), o prazo para que a Companhia Teatral Mungunzá deixe o espaço já foi encerrado. O local público é ocupado pelo grupo há 10 anos.
Passado o prazo de 90 dias, determinado pelo TJ-SP, em 25 de setembro do ano passado, o município pode retomar a posse do terreno. Segundo a prefeitura, a área onde hoje é o Teatro de Contêiner deve ser revitalizada e receber habitações populares e áreas de lazer.
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Em negociação com a Companhia Mungunzá, a prefeitura ofereceu outros terrenos maiores na região, com uma ajuda de custo de R$ 100 mil para a mudança da estrutura para o novo local, na Rua Helvétia. Em nota nas redes sociais, no dia 10 de dezembro, o grupo declarou que a prefeitura estimou os custos da mudança em R$ 2 milhões, e que não possui o valor para realizá-la.

Na publicação, o grupo de teatro também diz que pediu ao município que o novo local tivesse uma concessão de 30 anos, para garantir a estabilidade do trabalho e evitar novas remoções, mas que a proposta da prefeitura foi de apenas 2 anos.
Grupo alega falta de diálogo
Em entrevista ao Portal iG, Marcos Felipe, artista do Teatro de Contêiner, informou que o grupo aceitou o novo terreno, mas que o valor oferecido pela prefeitura, além de abaixo do estimado, foi apenas apalavrado, sem constar em contrato, e que há dificuldade ao tentar dialogar.
“Estamos buscando diálogo com a prefeitura desde novembro de 2025 para encontrarmos uma solução e efetuar a transferência de forma não traumática e respeitando a história de um dos equipamentos culturais mais importantes do país, mas, infelizmente, sem sucesso. Os agentes públicos não respondem aos nossos contatos”, relatou o artista.
O Portal iG procurou a prefeitura para questionar sobre a falta de diálogo apontada pela Companhia Mungunzá, além do valor que envolve a transferência para o novo local, mas o município optou por enviar um link para o texto oficial da decisão do TJSP. O espaço segue aberto para o posicionamento da Prefeitura de São Paulo.
