
Você já parou pra pensar o que acontece com o corpo do ser humano quando ele sai da Terra? Além dos músculos que enfraquecem e dos ossos que perdem densidade, os cientistas agora descobriram que o cérebro também muda de forma no espaço. Ele se desloca, estica e até comprime dentro do crânio.
E não é exagero, a análise dessa deformação, medida por ressonâncias magnéticas em astronautas, foi publicada pela equipe da pesquisadora Rachel Seidler, da Universidade da Flórida, na revista científica PNA.
O que exatamente acontece com o cérebro no espaço?
Aqui na Terra, a gravidade ajuda a manter tudo no lugar, inclusive o cérebro, que fica “encaixadinho” dentro do crânio, protegido pelo líquido cefalorraquidiano. Já no espaço, com a microgravidade, esse equilíbrio se desfaz todo. O resultado é um cérebro “sobe” na cabeça e muda de posição. Isso já era de conhecimento dos cientistas, no entanto, durante a pesquisa foi possível comprovar que o órgão também é esticado e comprimido em diversas áreas.

Depois de uma análise feita em 26 astronautas, os pesquisadores compararam os resultados com um grupo que ficou 60 dias deitado numa cama inclinada (para simular o efeito da microgravidade). Nos astronautas, o cérebro subiu ainda mais… E quanto mais tempo no espaço, maior o deslocamento.
Um dos dados mais impressionantes mostrou que o córtex motor suplementar, área que ajuda a controlar os movimentos, chegou a se mover 2,5 mm para cima em missões de um ano.
E isso afeta o corpo? Sim, o equilíbrio, por exemplo.
Os astronautas que tiveram maior deslocamento cerebral foram justamente os que mais tiveram dificuldade de equilíbrio ao voltar pra Terra. Isso porque, à medida que o cérebro sobe, ele também se comprime na parte de cima e de trás. Enquanto isso, outras áreas se alongam. Tudo isso afeta o sistema sensório-motor, responsável por manter a gente firme em pé.

Tem volta? Em parte, sim.
A boa notícia é que a maioria dessas alterações tende a regredir com o tempo. Depois de seis meses de volta à Terra, muita coisa já “voltou ao lugar”. Mas nem tudo. Alguns efeitos persistem, e por isso os cientistas defendem que esse tipo de estudo seja levado a sério nas missões de longa duração, como as que vão para Lua ou Marte.
