
A Marinha do Brasil, em parceria com a Empresa Gerencial de Projetos Navais e a Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, iniciou a construção da quarta embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré, na TKMS Estaleiro Brasil Sul, no município de Itajaí (SC).
O programa representa um salto qualitativo estratégico para o Brasil, com impactos significativos nos campos militar, industrial e tecnológico, na avaliação do Diretor de Gestão de Programas da Marinha, Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes, que foi o responsável por acionar o dispositivo que simbolizou o início da construção do navio.
“Ao dominar a construção de navios complexos e integrar o seleto grupo de países capazes de projetar, integrar e construir fragatas modernas, o Brasil amplia sua autonomia naval e colhe benefícios de longo prazo”, avaliou o Vice-Almirante, em entrevista ao Portal iG.
Entre os benefícios, Silva Gomes destaca o fortalecimento da soberania e da independência estratégica, ao reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros em cenários de crise ou embargo e permitir a manutenção, a modernização e a adaptação dos navios ao longo de décadas, sem ficar refém de terceiros.
Transferência de tecnologia
Ainda de acordo com Diretor de Gestão de Programas da Marinha, o programa também impulsiona o desenvolvimento industrial e tecnológico, promovendo a transferência de tecnologia em áreas críticas como sensores, sistemas de combate, integração eletrônica e engenharia naval avançada.
“Além disso, contribui para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa, envolvendo estaleiros e empresas dos setores de software, metalmecânica, eletrônica e armamentos, ao mesmo tempo em que gera empregos altamente qualificados e favorece a retenção de conhecimento no País”, enfatiza.
Navios multimissão
O Vice-Almirante define as fragatas da Classe Tamandaré como navios multimissão, projetados para operar de forma versátil, tanto em tempos de paz quanto em cenários de conflito.

Entre suas principais atribuições, segundo ele, está a defesa da soberania e a segurança da Amazônia Azul, correspondente às águas jurisdicionais do Brasil, com cerca de 5,7 milhões de km².
São embarcações que também realizam a escolta de navios mercantes, além da proteção de plataformas de petróleo e das principais rotas marítimas.
No campo militar, Silva Gomes ressalta que as fragatas são capazes de atuar em guerra antissuperfície, enfrentando navios inimigos, em guerra antiaérea, defendendo-se contra aeronaves, mísseis e drones, e em guerra antissubmarino, com a detecção e neutralização de submarinos.
Elas ainda desempenham papel relevante para apoio a operações conjuntas e multinacionais, além de poderem ser empregadas em ações de ajuda humanitária e evacuação de civis.
“As fragatas da Classe Tamandaré foram concebidas para atuar como pilares da defesa naval brasileira, especialmente na proteção de áreas estratégicas ao longo da costa”, afirma.
Alta tecnologia
Para isso, ele destaca que elas contam com um conjunto moderno de sensores que garante elevada consciência situacional, incluindo radares de última geração, sonar de casco com capacidade de operação de sonar rebocado, além de sistemas eletro-ópticos e de guerra eletrônica, integrados a um Centro de Operações de Combate totalmente digital.
“Dessa forma, o Programa vai além da simples substituição de navios antigos e se configura como um verdadeiro projeto de Estado, voltado ao fortalecimento da soberania nacional, da indústria de defesa e da capacidade do Brasil de proteger seus interesses marítimos”, conclui o Vice-Almirante Silva Gomes.
Com previsão de lançamento ao mar em 2027 e incorporação à Marinha do Brasil em 2029, esta quarta embarcação, a F203, que recebe o nome do Primeiro-Tenente Antônio Carlos de Mariz e Barros, herói da Guerra da Tríplice Aliança, comandante do Encouraçado “Tamandaré”, poderá atingir a velocidade de 25 nós, que equivale a cerca de 47 km/h.
As 4 embarcações da Classe Tamandaré
A Fragata Mariz e Barros (F203) é a quarta embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré produzida no território brasileiro, juntamente com as F200, F201 e F2023.
Segundo informações da Agência Marinha de Notícias, a Fragata Tamandaré (F200), primeira da Classe, foi lançada ao mar em agosto de 2024, quando foi batizada por Vera Brennand, esposa do Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro.
O navio passou pelos testes de aceitação de mar de agosto a dezembro de 2025 e deve ser entregue ao setor operativo da Marinha do Brasil ainda no primeiro semestre de 2026.

A segunda fragata, a “Jerônimo de Albuquerque” (F201), passou pela cerimônia de batimento de quilha em junho de 2024 e foi lançada ao mar em agosto de 2025, batizada por Lu Alckmin, esposa do vice-presidente Geraldo Alckmin. O início das provas de mar da embarcação está previsto para meados de 2026.
O terceiro navio da Classe é a Fragata “Cunha Moreira” (F202), que começou a ser construída em novembro de 2024, com o corte da primeira chapa de aço.
O início da montagem dos blocos que formam a embarcação foi em junho de 2025, com a cerimônia de batimento de quilha. A expectativa é de que essa fragata seja lançada ao mar em julho de 2026.
Novo PAC
O Programa Fragatas Classe Tamandaré está incluído no Novo Programa de Aceleração do Crescimento, o Novo PAC, do governo federal, no eixo de Inovação para a Indústria de Defesa, o que garante mais investimentos e possibilita a nacionalização de sistemas avançados, capacitando empresas brasileiras na produção, manutenção e modernização dos recursos empregados ao longo do ciclo de vida dos navios.
Ainda de acordo com a Agência Marinha de Notícias, a expectativa é de que sejam gerados cerca de 23 mil empregos – 2 mil diretos, 6 mil indiretos e 15 mil induzidos – durante a construção das embarcações da Classe Tamandaré.
