Moraes cita ‘upgrade’ ao mandar Bolsonaro para a Papudinha

O ex-presidenre Jair Bolsonaro Reprodução/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

No despacho que determinou a transferência imediata de Jair Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, se queixou da sistemática tentativa de deslegitimar o regular e legal cumprimento da pena privativa de liberdade do ex-presidente.

Ele classificou como mentirosas as declarações recentes dos filhos de Bolsonaro sobre as condições da carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde ele cumpria pena até então por liderar a tentativa de golpe de Estado no país. “Cativeiro” era um dos muitos adjetivos usados, por exemplo, pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) após visitar o pai. Ele reclamava do horário das visitas e desconfiava até da “origem da comida” oferecida ao apenado. 

Sobraram queixas também ao “tamanho das dependências”, do “banho de sol”, do “ar-condicionado” e à ausência de uma SmarTV que garantisse ao YouTube.

A certa altura, o ministro questiona se os filhos confundem uma prisão com um hotel (na verdade, uma “estadia hoteleira ou em uma colônia de férias”).

Na decisão, Moraes esbravejou contra as reclamações, citou a realidade carcerária brasileira e as dificuldades de ressocialização. Ele resolveu o problema mandando Bolsonaro para a chamada “Papudinha” – na verdade, a Sala de Estado Maior dom complexo, com “condições ainda mais favoráveis, igualmente exclusiva e com total isolamento em relação aos demais presos” do local.

Segundo o ministro, o local permitirá o aumento do tempo de visitas aos familiares, a realização livre de “banho de sol” e de exercícios a qualquer horário do dia, a instalação de aparelhos para fisioterapia.

Moraes negou, entretanto, o pedido insistente da defesa para que Bolsonaro cumpra a pena em casa. E não, não autorizou o apenado acessar a internet pela TV. Vai ter que se contentar com a grade da TV a cabo – e do próprio cumprimento da pena, claro.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

Adicionar aos favoritos o Link permanente.