Tá em casa? ‘Amigo’ pode salvar Eduardo Bolsonaro da cassação

Eduardo Bolsonaro durante entrevista a imprensaLula Marques/ Agência Brasil

Eduardo Bolsonaro acaba de ganhar uma boa notícia em uma semana de baixas para a extrema direita.

Nesta terça-feira (23) o Conselho de Ética da Câmara abriu o processo de cassação contra o deputado do PL de São Paulo. Essa é a má notícia.

A boa é que o processo está em casa. Por sorteio, o relatório do caso caiu na mão do Deputado Marcelo Freitas (União-MG). Ele é fã de Jair Bolsonaro (PL), já chamou Eduardo de “amigo” e tem atacado nas redes o ministro Alexandre de Moraes, a quem acusa de liderar a ditadura do Judiciário. 

Nem se o caso tivesse parado no colo daquele tio que costuma encaminhar mensagens de política no grupo da família a situação do Zero Três estaria mais tranquila.

O Conselho de Ética, afinal, é comandado por Fabio Schiochet (União-SC), deputado de um partido e um estado com o corpo e a alma no bolsonarismo. O União Brasil, inclusive, acaba de pedir o divórcio do governo Lula (PT). Marcelo Freitas é vice-presidente do colegiado.

O processo contra Eduardo foi pedido pelo Partido dos Trabalhadores. A legenda acusa o parlamentar de agir de maneira incompatível com o mandato ao trabalhar em defesa de sanções contra o Brasil nos Estados Unidos, onde mora desde fevereiro.

Eduardo ainda vai apresentar a sua defesa e, a partir dali, Freitas terá dez dias para dizer se recomenda ou não o prosseguimento da ação contra ele. Caso contrário, Bolsonaro fica livre para seguir tramando contra o próprio país sem perder o mandato (nem o salário) como deputado.

O Conselho de Ética da Câmara possui 21 titulares. Desses, ao menos seis são do PL e do União Brasil, partidos de oposição ao governo. O PT possui três deputados. O PDT, partido aliado, tem um. 

Os demais são um mistério (são dois membros do MDB, hoje mais governista que oposição, dois do PSD, incógnita, dois do Republicanos, mais oposição que governista e um do Podemos, idem).

O processo contra Eduardo demorou a chegar ao Conselho de Ética. E, ao que tudo indica, os colegas do pai farão de tudo para matar no peito e arquivar o caso. 

Neste caso, os acusadores poderão tentar a sorte por outras vias, como o Supremo Tribunal Federal – a Corte onde o relator do caso Eduardo jura habitar uma ditadura.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

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