
O Ministério da Educação confirmou nesta segunda-feira (19) que 99 cursos de medicina passarão por processos formais de supervisão após obterem conceitos 1 ou 2 no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025.
A decisão atinge graduações com desempenho considerado insuficiente e pode resultar em redução de vagas, suspensão de financiamentos federais e até desativação de cursos.
A medida importa agora porque afeta diretamente a oferta futura de médicos, o acesso de estudantes a Fies e Prouni e a qualidade da formação médica, com impacto direto no Sistema Único de Saúde (SUS) e no ingresso em programas de residência.
Dos 304 cursos vinculados ao sistema federal de ensino avaliados no Enamed 2025, 204 (67,1%) alcançaram conceitos satisfatórios (3 a 5). Outros 99 (32%) ficaram nas faixas 1 e 2.
Esse patamar é em que menos de 60% dos concluintes demonstraram proficiência adequada, e entram automaticamente no radar da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres).
O exame avaliou 89.024 participantes, entre concluintes e médicos já formados.
Entre os concluintes, 67% atingiram proficiência; no público geral, o índice foi de 81%, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Como funciona a supervisão
As sanções variam conforme o percentual de concluintes proficientes:
- Faixa 1 (menos de 30%): suspensão de ingresso de novos alunos.
- Faixa 1 (30% a 40%): redução de 50% das vagas.
- Faixa 2 (40% a 50%): redução de 25% das vagas.
- Faixa 2 (acima de 50%): proibição de ampliar vagas, sem outras cautelares imediatas.
Nos três primeiros grupos, há ainda suspensão do Fies e de outros programas federais, além do impedimento de expansão. As medidas valem até a divulgação do Conceito Enade 2026.
A Seres notificará as instituições e abrirá processo administrativo, com 30 dias para manifestação e pedido de prazo para correção de falhas.
Em 2026, o Inep realizará visitas in loco em todos os cursos de medicina, com foco em atividades práticas, laboratórios, integração com redes de saúde e cenários de prática, um diagnóstico inédito em escala nacional.
Segundo o MEC, alunos matriculados não serão prejudicados no curto prazo.
Já para novos ingressantes, as consequências são imediatas: menos vagas, menos financiamento e maior risco regulatório para cursos mal avaliados.
No médio prazo, a política tende a frear a expansão desordenada, mais de 80% das graduações de medicina hoje são privadas, e elevar a régua de qualidade.
Por que o Enamed pesa mais agora
O Enamed unifica o Enade de medicina com a prova teórica de acesso direto ao Exame Nacional de Residência, o que permite que a nota seja usada na seleção para residência.
A partir de 2026, a avaliação será anual também no 4º ano, o que amplia o monitoramento e antecipa correções durante a graduação.
Os resultados do Enamed 2026 podem agravar ou aliviar as medidas cautelares. Ao final do processo, o MEC poderá reduzir vagas de forma permanente ou desativar cursos que não comprovarem melhoria.
As Diretrizes Curriculares Nacionais recém-atualizadas reforçam exigências de infraestrutura, docentes, integração com o SUS e apoio ao estudante, o que eleva o custo de conformidade para instituições com desempenho fraco.
Em resumo: 99 cursos de medicina entram sob supervisão agora porque não entregaram formação mínima comprovada. O efeito é imediato sobre vagas e financiamento.
