
A Justiça italiana volta a analisar nesta terça-feira (20) o pedido de extradição de Carla Zambelli.
A sessão ocorre a portas fechadas na Corte de Apelação e pode destravar o desfecho de um caso que se arrasta há meses e mantém a ex-parlamentar presa em Roma desde julho de 2025.
Se o tribunal considerar que os requisitos do tratado bilateral estão preenchidos, o processo avança para a última etapa administrativa na Itália.
Caso contrário, Zambelli permanece no país enquanto a defesa tenta novas vias judiciais.
O que está em jogo hoje
É a quarta tentativa de deliberação da Corte. As sessões anteriores foram adiadas, a última em 18 de dezembro, quando magistrados alegaram ter recebido apenas na véspera documentos enviados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Nos documentos, estavam informações sobre os processos e sobre a unidade prisional onde Zambelli cumpriria pena no Brasil.
A análise se concentra em critérios formais do tratado Brasil–Itália de 1989: dupla tipicidade (o fato ser crime nos dois países), inexistência de perseguição política, respeito a direitos humanos, ausência de pena em execução na Itália e adequação documental do pedido.
Zambelli foi condenada pelo STF em dois processos. No principal, recebeu 10 anos de prisão por participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Nesse caso, o STF apontou que a então deputada idealizou e patrocinou a ação que resultou na inserção de documentos falsos em plataformas do Judiciário, incluindo um mandado de prisão fraudulento contra um ministro da Corte.
A execução técnica foi atribuída ao hacker Walter Delgatti Neto, que confirmou ter agido a pedido de Zambelli.
A condenação reuniu 16 crimes de falsidade ideológica e 13 de invasão de dispositivo informático qualificada, além de multa.
Em outro, foi sentenciada a cinco anos e três meses por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma.
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Após a condenação, deixou o Brasil, teve o nome incluído na Interpol e acabou presa em Roma em 29 de julho de 2025.
O pedido formal de extradição foi encaminhado pelo Ministério da Justiça brasileiro às autoridades italianas em 12 de junho do ano passado.
Mandato encerrado no Brasil
No front político, a situação se encerrou no Congresso. Zambelli renunciou ao mandato em dezembro, após o STF determinar a perda imediata do cargo e fixar prazo de 48 horas para a posse do suplente.
A decisão foi confirmada por unanimidade na Primeira Turma do STF, encerrando a disputa com a Câmara.
Se a Corte de Apelação autorizar a extradição, a defesa ainda pode recorrer à Corte de Cassação.
Em hipóteses mais remotas, pode acionar o Tribunal Constitucional italiano ou a Corte Europeia de Direitos Humanos, caso alegue violação constitucional.
Esgotados os recursos, a palavra final cabe ao ministro da Justiça da Itália, que homologa, ou não, a entrega ao Brasil.
O julgamento desta terça não encerra automaticamente o caso, mas define o rumo: ou acelera a transferência para o sistema prisional brasileiro, ou prolonga a permanência de Zambelli em solo europeu com novas contestações.
