Trump não recua sobre a Groenlândia: “vocês vão descobrir”

Donald Trump, presidente dos Estados UnidosDivulgação/Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o público vai descobrir até onde ele está disposto a ir para adquirir a Groenlândia, ao comentar o tema durante uma coletiva nesta terça-feira (20).

O comentário é feito no mesmo dia em que o Parlamento Europeu decidiu congelar um acordo comercial com os EUA em resposta direta às ameaças tarifárias ligadas ao plano estadunidense para o território autônomo da Dinamarca.

Questionado diretamente sobre os limites de sua atuação em relação à Groenlândia, Trump adotou tom lacônico. “Vocês vão descobrir”, disse, sem detalhar quais medidas poderiam ser adotadas pelos Estados Unidos.

Trump também foi indagado sobre sua relação com líderes europeus, como o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Ele afirmou que não falou recentemente com eles, mas minimizou qualquer atrito. “Não, eu não falei com eles, mas acho que me dou muito bem com eles”, disse.

Quer dizer, eles sempre me tratam bem. Eles ficam um pouco rudes quando eu não estou por perto, mas quando estou, me tratam muito bem.” Em seguida, completou: “E sabe, eu gosto dos dois.”

Sobre os possíveis impactos do plano envolvendo a Groenlândia nos compromissos financeiros assumidos por outros países com os Estados Unidos, Trump demonstrou confiança. “Duvido. Eles precisam muito desse acordo conosco. Lutaram muito para consegui-lo. Temos muitas reuniões agendadas sobre a Groenlândia em Davos. Acho que as coisas vão se resolver muito bem”, afirmou.

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Acordo comercial como instrumento de pressão

Mais cedo, o Parlamento Europeu decidiu congelar a aprovação de um acordo comercial firmado com os Estados Unidos no ano passado, como resposta direta às ameaças do presidente estadunidense de impor tarifas a países do bloco que rejeitem suas exigências relacionadas à Groenlândia. A decisão, anunciada pelos principais grupos políticos, adia a votação que eliminaria tarifas sobre bens industriais dos EUA.

O acordo havia sido fechado em julho do ano passado, após meses de tensão que incluíram a imposição, por Washington, de tarifas de 15% sobre produtos europeus.

Segundo lideranças do bloco, a suspensão não significa o abandono definitivo do tratado, mas funciona como um mecanismo de pressão política.

É uma alavanca extremamente poderosa – não acho que as empresas concordariam em abrir mão do mercado europeu”, afirmou a presidente do grupo centrista Renovar, Valérie Hayer, a jornalistas.

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