Kast aponta advogados que defenderam Pinochet como ministros dos Direitos Humanos e da Defesa do Chile


O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, após vencer o segundo turno das eleições presidenciais no Chile, em 15 de dezembro de 2025
REUTERS/Juan Gonzalez
O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, escolheu dois advogados que defenderam o ditador Augusto Pinochet como ministros da Defesa e dos Direitos Humanos, nesta terça-feira (20).
Segundo o jornal El País, os indicados são Fernando Barros Tocornal, que assumirá o Ministério da Defesa, e Fernando Rabat, nomeado para comandar a pasta da Justiça e Direitos Humanos. Outros 23 nomes foram anunciados nesta terça.
As escolhas provocaram forte reação de organizações de familiares de detidos desaparecidos e de executados políticos da ditadura militar chilena (1973–1990).
Kast, admirador de Pinochet e vencedor de uma eleição com ampla vantagem em dezembro passado, anunciou “uma grande equipe para tempos difíceis”, incluindo Fernando Barros, de 68 anos, como ministro da Defesa, e Fernando Rabat, de 53 anos, como ministro da Justiça e Direitos Humanos.
Pinochet liderou uma ditadura entre 1973 e 1990 que deixou mais de 3.200 mortos ou desaparecidos e torturou ou prendeu dezenas de milhares de pessoas.
Promessas de Kast para o futuro
A plataforma de campanha de Kast inclui, na área econômica, regras trabalhistas mais flexíveis, corte de impostos para empresas e menor regulação.
O presidente eleito também prometeu endurecer o combate ao crime – historicamente um dos países mais seguros da América Latina, o Chile vive um aumento recente na criminalidade, incluindo sequestros e assassinatos.
Durante a campanha, Kast visitou e prometeu seguir o modelo das mega-prisões construídas pelo governo de Nayib Bukele em El Salvador.
Além disso, Kast propôs deter e expulsar cerca de 340 mil imigrantes sem documentos, criando uma polícia semelhante ao Serviço de Imigração e Controle Alfandegário (ICE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.
Kast disse que os imigrantes ilegais teriam 92 dias – prazo até a sua posse – para deixar o país voluntariamente.
“Após esses 92 dias, qualquer um que solicite qualquer serviço público – saúde, educação, transporte, envio de dinheiro para o exterior, contrato, ou para vender qualquer coisa – vai ser registrado e convidado a sair”, afirmou.
Em atualização
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