PIB dos EUA cresce 4,4% no 3º trimestre de 2025 e reforça resiliência da economia americana

PIB EUA

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 4,4% no terceiro trimestre de 2025, segundo a estimativa atualizada divulgada pelo Departamento de Análise Econômica (BEA). O resultado representa uma aceleração em relação ao segundo trimestre, quando a economia havia avançado 3,8%.

O dado foi revisado 0,1 ponto percentual para cima em relação à estimativa anterior, refletindo principalmente ajustes positivos em exportações e investimentos, que foram parcialmente compensados por uma revisão para baixo no consumo. As importações, que entram como subtração no cálculo do PIB, foram revisadas para cima.

De acordo com o BEA, o crescimento no trimestre foi impulsionado por uma combinação de consumo das famílias, aumento dos investimentos, expansão das exportações e elevação dos gastos governamentais, enquanto as importações recuaram.

PIB dos EUA: demanda doméstica segue firme

As chamadas vendas finais reais para compradores privados domésticos, indicador que soma consumo e investimento privado e é considerado uma das melhores métricas da demanda interna, cresceram 2,9% no terceiro trimestre, com leve revisão para baixo de 0,1 ponto percentual.

O comportamento da demanda reforça a leitura de que a economia americana manteve dinâmica sólida mesmo em um ambiente de política monetária restritiva, com juros elevados ao longo de 2025.

Serviços lideram crescimento setorial do PIB americano

Do ponto de vista setorial, o avanço do PIB foi liderado pelo segmento de serviços privados, que registrou crescimento de 5,3% no valor adicionado real. Já as indústrias privadas de bens avançaram 3,6%, enquanto o setor governamental apresentou queda de 0,3%.

Na ótica do produto bruto por grupo industrial, a economia cresceu 3,2%, com destaque novamente para serviços privados (+4,4%) e governo (+2,1%), parcialmente compensados por uma leve retração de 0,1% nas indústrias de bens.

Impacto limitado, segundo Gustavo Cruz

Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, os dados do PIB têm impacto limitado sobre os mercados por se tratarem de uma leitura praticamente final e amplamente antecipada. Segundo ele, apesar de o crescimento ter vindo ligeiramente acima do esperado, o foco dos investidores segue concentrado em indicadores de maior poder de precificação, como payroll e CPI, além da avaliação dos efeitos das tarifas comerciais ao longo de 2026.

A inflação medida pelo PCE segue em 2,8%, ainda distante da meta de 2% do Federal Reserve, e chama atenção para um cenário pouco usual na história econômica americana, em que o banco central discute cortes de juros mesmo com a inflação em trajetória de alta, o que tende a aumentar o grau de cautela em relação à continuidade do ciclo de flexibilização monetária“, avalia Cruz.

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