
Funcionária denuncia importunação sexual no TCE-AM
Uma funcionária terceirizada do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) denunciou dois servidores do órgão por importunação sexual após relatar que sofreu assédio no ambiente de trabalho por mais de um ano. Os casos teriam ocorrido na sede do tribunal, em Manaus, e incluem mensagens no celular, comentários de cunho sexual, gestos e toques físicos não consentidos.
A vítima é a tecnóloga em Recursos Humanos Brena Oliveira da Costa. Ela trabalhou por nove anos no TCE-AM, contratada por meio da Associação de Deficientes Físicos do Amazonas. Brena é deficiente auditiva e utiliza aparelho para escutar.
Segundo o relato, os episódios começaram com mensagens e comentários inadequados e evoluíram para contatos físicos.
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“Meu limite foi quando ele esfregou a minha perna debaixo da minha mesa. Ali foi o meu limite”, disse.
Em abril do ano passado, Brena conseguiu gravar, dentro do ambiente de trabalho, o momento em que um colega passa a mão nela. Em outro depoimento, ela relatou que os contatos aconteciam na rotina profissional.
“Pelos gestos, pelas mãos. Na rotina de trabalho, eu tinha que ter contato com ele. Ia ao setor pegar o protocolo, ele pegava nas minhas mãos”, contou.
Funcionária era alvo de toques e gestos com teor sexual dentro do Tribunal de Contas do Amazonas.
Reprodução/Rede Amazônica
A Rede Amazônica solicitou entrevista com a presidente do TCE-AM, Yara Lins, mas, em nota, a assessoria informou apenas que o tribunal “não compactua com qualquer forma de assédio” e que tomou conhecimento do caso “por meio da imprensa”.
Ainda segundo o comunicado, foi aberto um inquérito administrativo para apuração rigorosa dos fatos. A nota afirma que o tribunal manteve contato institucional com a defesa do investigado e também com Brena, citada no texto como “suposta vítima”. O TCE-AM declarou ainda que, até o momento, não havia registro de denúncia formal nos canais institucionais. Leia a nota na íntegra no fim da reportagem.
No entanto, a Rede Amazônica teve acesso a documentos internos que mostram que Brena já havia formalizado denúncias dentro do tribunal.
Em outubro de 2024, ela registrou que um funcionário ficou “roçando o braço na perna dela” e que não era a primeira vez que isso acontecia. Já em uma ata da reunião do Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação, realizada em 27 de fevereiro do ano passado, Brena relatou ser vítima de assédio sexual e moral.
O documento aponta que ela não aceitou o pedido de desculpas de um dos acusados e encerrou o processo na Ouvidoria da Mulher do TCE-AM, orientada por sua advogada, por acreditar que não havia vontade real de resolver a situação. O comitê informou que fez o que era possível administrativamente e recomendou que ela procurasse a polícia.
Dias depois, Brena recebeu uma mensagem informando que o tribunal havia solicitado o desligamento imediato dela da função. Ao questionar o motivo, recebeu como resposta que seus serviços “não atendiam mais às necessidades da empresa”.
Após o desligamento, ela procurou a polícia e denunciou Isaac Pereira de Santana e Sebastião Marques de Carvalho Neto por importunação sexual. Os dois processos tramitam sob sigilo.
A Rede Amazônica tenta contato com a defesa dos citados.
A vítima também entregou às autoridades mensagens que teriam sido enviadas pelos acusados ao celular dela, com linguagem considerada inadequada e convites para encontros. Se condenados, eles podem pegar até cinco anos de prisão
Isaac é o servidor que aparece no vídeo gravado por Brena. Depois que o caso se tornou público, ele entrou com um processo contra a vítima. Já Sebastião foi alvo de uma investigação da Ouvidoria da Mulher do TCE-AM e chegou a formalizar um pedido de desculpas, mas agora, em nota assinada por seu advogado, nega as acusações de importunação sexual.
“A importunação sexual são atos de cunho sexual sem o consentimento da vitima. Por exemplo, aquele beijo sem a permissão dela, o toque no corpo dela sem autorizar, aqueles esfregões que acontecem muito de forma proposital e coletiva, isso é importunação sexual”, alerta a delegada Patrícia Leão.
Especialistas reforçam que a principal orientação para vítimas de assédio é reunir provas.
“Principalmente porque a gente sabe que ainda existe muito descrédito em relação às denúncias”, afirmou a advogada Sarah Benezer.
Enquanto isso, Brena afirma que segue em busca de justiça. “Isso é muito revoltante. Eu não vou me calar”.
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Sede do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM).
Divulgação
