
Quatro mulheres foram presas por comandarem uma “central de golpes” instalada no principal eixo financeiro do país, em São Paulo.
O grupo operava a partir de um prédio comercial na avenida Faria Lima e aplicava fraudes financeiras com ameaças de bloqueio de CPF e supostas ações judiciais para forçar pagamentos indevidos, segundo a investigação.
As suspeitas, com idades entre 27 e 39 anos, ocupavam cargos de supervisão e gerência dentro da estrutura criminosa.
A escolha do endereço, associado a bancos, gestoras e grandes empresas, fazia parte da estratégia para dar aparência de legalidade às cobranças e reduzir a desconfiança das vítimas, apontam os investigadores.
A apuração indica que o esquema obtinha dados pessoais de forma ilícita e entrava em contato oferecendo a falsa recuperação de “créditos podres”, dívidas antigas ou de difícil cobrança.
Na prática, muitas das pessoas abordadas não tinham qualquer débito. O alvo principal eram idosos, grupo mais suscetível à pressão e ao temor de sanções financeiras ou judiciais.
Para sustentar o golpe, os operadores enviavam mensagens em massa que simulavam ordens judiciais, notificações extrajudiciais e alertas de restrição cadastral.
Após o primeiro contato, as vítimas eram direcionadas a um atendimento telefônico, no qual os golpistas se apresentavam como integrantes de setores jurídico e de cobrança.
A pressão era intensificada com ameaças diretas e exigência de pagamento imediato.
Parte da estrutura também realizava cobranças legítimas, o que ajudava a camuflar a atividade fraudulenta e dificultava a identificação do crime, de acordo com a investigação.
Além das quatro mulheres presas, que foram liberadas após pagamento de fiança, outros dez suspeitos foram levados para prestar depoimento.
No local, foram apreendidos documentos usados nos contatos com as vítimas e dispositivos eletrônicos que passarão por perícia.
O caso foi registrado como associação criminosa, e as investigações seguem para apurar o volume financeiro movimentado, a participação de outros envolvidos e o número total de vítimas.
