Conselho da Paz de Trump transforma o Brasil em peça do tabuleiro global

Conselho de paz de Trump é tema da discussão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um dos dilemas mais sensíveis de sua política externa ao ser convidado por Donald Trump para integrar o chamado Conselho da Paz, iniciativa que vem sendo interpretada por especialistas como uma tentativa de criar uma estrutura paralela à Organização das Nações Unidas (ONU), sob forte controle dos Estados Unidos.

A proposta já recebeu negativas de países europeus e resistência de membros permanentes do Conselho de Segurança. Paralelamente, o presidente chinês Xi Jinping teria feito contato direto com Lula pedindo que o Brasil não aceitasse o convite, segundo a mídia estatal chinesa.

Conselho da Paz de Trump e a concentração de poder fora da ONU

Para o professor de Relações Internacionais, Marcus Vinicius de Freitas, o projeto tem natureza política e personalista.

Trump tenta criar uma organização internacional paralela às Nações Unidas, em que o poder é total e irremediável dos Estados Unidos”, afirma.

Segundo ele, o formato proposto daria a Trump poderes concentrados.

Ele se coloca como chairman vitalício, com direito de veto, controle de ampliação e sem espaço real para oposição”, avalia.

Na leitura do especialista, a iniciativa surge em um contexto de declínio relativo da hegemonia americana.

Trump tenta reverter a perda de influência dos Estados Unidos, inclusive por meio de pressão política e extorsão diplomática”, diz.

Brasil como peça-chave no jogo multilateral

Do outro lado, a China atua para preservar o multilateralismo. Enquanto o Brasil se tornou peça estratégica nesse jogo.

Hoje a China é mais multilateralista do que os Estados Unidos e entende que é mais fácil construir uma ordem internacional dentro da ONU do que sob hegemonia de um país só. Além disso, a China precisa se associar a países de reputação melhor no imaginário ocidental, e o Brasil cumpre esse papel”, explica Freitas.

Apesar de episódios recentes de tensão comercial, ele ressalta a fidelidade chinesa.

No ano passado, os chineses compraram praticamente só soja brasileira, mesmo sob forte pressão dos Estados Unidos”, lembra.

Conselho da Paz de Trump como instrumento político

O caráter político do conselho ficou evidente quando Trump retirou o convite ao Canadá após críticas públicas.

Ele convida e desconvida conforme lhe agrada. Não quer oposição, quer ser o supremo líder desse conselho”, diz.

Para Freitas, aceitar o convite seria uma armadilha estratégica.

O Brasil corre o risco de abandonar o multilateralismo e se submeter a uma estrutura personalista de poder, com custos diplomáticos relevantes.

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