Há um bode no meio da sala – 2

Dias ToffoliArquivo

Toffoli tem ligações ainda mais intensas com Vorcaro e seu banco, além de ter deixado vir a tona outras ações suas para lá de descabidas para um ministro do STF.

O ministro já havia voado num jatinho particular até Lima, no Peru, para assistir a final da Libertadores da América. Na ocasião, decano da Corte, Gilmar Mendes, colocou panos quentes e viu no episódio algo “normal”.

Agora, o que foi descoberto aprofunda essa conduta pouco ética do ministro. O portal Metrópoles divulgou vídeo em que Toffoli recebe em área reservada do Resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, na divisa entre SP e PR, os empresários Luís Pastore e André Esteves.

O primeiro é dono do grupo metalúrgico Ibrame e o segundo é proprietário e controlador do Banco BTG-Pactual. Indo mais fundo, descobriu-se que a prática é recorrente, ou seja, o ministro, que já foi presidente do STF, recebe regularmente empresários e banqueiros no referido local já há algum tempo.

Mais ainda, funcionários e ex-funcionários do Tayayá afirmaram que Toffoli e seus irmãos, José Carlos e José Eugênio Toffoli, continuam associados ao empreendimento, junto ao atual proprietário, o advogado Paulo Humberto Barbosa. Ele atua como advogado da JBS, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Como problema pouco é bobagem, descobriu-se que a participação dos irmãos de Toffoli no Tayayá foi comprada por fundos de investimento ligados ao Banco Master, sim, isso mesmo, exatamente o mesmo Banco que agora é investigado pela Polícia Federal e também pelo STF, com relatoria à carga do Ministro Dias Toffoli.

Mais ainda: José Carlos e José Eugênio adquiriram suas cotas no Tayayá por meio de uma empresa de nome Maridt Participações, registrada na Receita Federal com um capital social de R$ 150 e cuja sede, domicílio de um dos sócios, está no nome da esposa deste sócio, imóvel que foi adquirido por financiamento e nunca foi sede de verdade de nenhuma empresa.

De fato, procurada pelo jornal O Estado de São Paulo, a esposa de José Eugenio, Cássia, declarou: “Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa. Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na junta comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”.

Parece, ou tudo indica, que esqueceram de avisar a Dona Cássia do “esquema” do Resort.

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