Lula defende união para que terras raras gerem riqueza à AL

Presidente Lula discursa na abertura do do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, no Panamá Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta quarta-feira (28), que as terras raras só têm sentido se a América Latina construir parcerias que garantam a transformação da matéria-prima industrializada em geração de riquezas aos próprios países da região.

A declaração foi feita no discurso de abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, no Panamá.

As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos necessários na produção de produtos tecnológicos modernos, como smartphones, câmeras digitais e LEDs. O uso mais relevante é na fabricação de ímãs de alta potência.

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Lula mencionou as terras raras em seu discurso ao citar as “credenciais econômicas, geográficas, demográficas, políticas e culturais excepcionais” que os países latino-americano e caribenhos têm “para aspirar a uma presença relevante no contexto mundial”.

“Reunimos recursos minerais abundantes, inclusive minérios críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e digital”, disse.

O presidente também citou potencial energético relacionado às reservas de petróleo e gás, hidroeletricidade, biocombustíveis, e energia nuclear, eólica e solar; variadas condições de solo e clima e avanços científicos e tecnológicos para a produção de alimentos; a maior floresta tropical do planeta, mais de um 1/3 das reservas de água doce do mundo e riquíssima biodiversidade; um mercado consumidor expressivo de 660 milhões de pessoas e a predominância de governos eleitos democraticamente.

Em relação à defesa pelas terras raras como gerador de emprego e desenvolvimento nos países da América Latina, o presidente mencionou a exportação do material in-natura.

“Todo mundo hoje no mundo está falando de minerais críticos e de terras raras. Para que a gente fala tanto em terras raras e minerais críticos? Para a gente ficar exportando material bruto, matéria-prima in natura, para ser transformada nos outros países e a gente comprar as coisas transformadas a peso de ouro? Não. Os minerais críticos e as terras raras só têm sentido para enriquecer os nossos países se a gente tiver coragem de construir parcerias e eles serem transformados nos nossos países para gerar riqueza nos nossos países, para gerar emprego nos nossos países e para gerar desenvolvimento nos nossos países”, defendeu Lula, repetindo o que havia dito em visita a Moçambique, em novembro do ano passado, sobre o Brasil não ser apenas um exportador de minerais críticos.

Processar, antes de exportar

“Se quiser, vai ter que industrializar o nosso país para que o nosso país possa ganhar esse dinheiro”, declarou, na ocasião.

Também sobre as terras raras, em janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o Brasil e a União Europeia negociam um acordo para investimentos conjuntos nessas matérias-primas.

“O entendimento em negociação deverá estruturar a cooperação entre os dois lados em projetos conjuntos e fortalecer a autonomia estratégica em um cenário global marcado pela disputa por minerais críticos”, disse ela.

Mesmo o governo defendendo a redução da exportação dessas commodities in natura, a exportação de terras raras extraídas no Brasil para a China triplicou no 1º trimestre de 2025, em relação ao mesmo período de 2024, somando US$ 6,7 milhões.

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