
O episódio de La Niña de 2025 e 2026 chegou ao fim após quatro a cinco meses de águas superficiais mais frias que a média no Oceano Pacífico, abrindo caminho para um período de neutralidade antes da possível instalação de um El Niño ainda em 2026.
O fenômeno, caracterizado por águas superficiais mais frias no Pacífico Equatorial, teve curta duração e baixa intensidade, com expectativa de transição para condições neutras entre janeiro e março de 2026, segundo boletim da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA).
Segundo o Climate Prediction Center, órgão ligado à NOAA, a temperatura da superfície do mar na região atingiu -0,3°C no último boletim semanal, valor que já se enquadra na faixa de neutralidade, entre -0,5°C e +0,5°C.
Foram registradas 14 semanas consecutivas com anomalias compatíveis com La Niña, sendo o pico de resfriamento de -0,8°C observado em novembro e novamente em janeiro, o que caracterizou um evento fraco e de curta duração.
Ainda segundo o boletim, áreas abaixo da superfície do oceano passaram a apresentar temperaturas acima da média, indicando avanço de águas mais quentes do Pacífico Ocidental em direção ao centro-leste, o que reduz a chance de retomada do resfriamento.
Na região próxima às costas do Peru e do Equador, a anomalia registrada foi de -0,2°C na última semana analisada.
Efeitos no Brasil
Especialistas destacam que a passagem para a neutralidade não representa, necessariamente, estabilidade climática, segundo a MetSul Meteorologia.
Mesmo sem predomínio de El Niño ou La Niña, o Pacífico pode apresentar extremos associados a ambos os fenômenos. Além disso, os efeitos atmosféricos da La Niña tendem a persistir por algum tempo, o que impede mudanças imediatas nos padrões de chuva.
Áreas do Sul do Brasil, da Argentina e do Uruguai que enfrentaram irregularidade nas precipitações devem continuar sob influência desse comportamento no curto e médio prazos, segundo avaliação da MetSul Meteorologia. No Rio Grande do Sul, a Metade Sul do estado segue como a região de maior preocupação.
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Modelos indicam chance crescente de El Niño
As projeções de modelos climáticos analisados pela NOAA e pelo Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI), da Universidade de Columbia, indicam 75% de probabilidade de transição para neutralidade entre janeiro e março de 2026. A tendência é que esse quadro persista ao menos até o fim do outono.
Estimativas da Universidade de Columbia apontam que, entre março a maio, a probabilidade de neutralidade é de 88%, enquanto a chance de El Niño é de 7%. Já entre junho e agosto a possibilidade de El Niño sobe para 48%. No trimestre de julho a setembro, a probabilidade do fenômeno chega a 51%.
Apesar desses números, os especialistas alertam para a chamada “barreira de previsibilidade”, comum entre março e junho, quando a confiabilidade dos modelos é menor. A partir desse período, as projeções tendem a ganhar maior precisão.
O que caracteriza El Niño e La Niña
El Niño ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que a média e os ventos de leste enfraquecem. La Niña, por sua vez, é o fenômeno oposto, marcado por águas mais frias e ventos mais intensos.
Os eventos costumam ocorrer a cada três a cinco anos e fazem parte do ciclo climático conhecido como El Niño–Oscilação Sul (ENSO).

Esses fenômenos influenciam o clima em diversas regiões do planeta, afetando regimes de chuva, temperatura, ecossistemas e atividades econômicas.
No Sul do Brasil, La Niña está associada a maior risco de estiagem, enquanto El Niño tende a aumentar a frequência de chuvas intensas. No Nordeste, o comportamento é inverso: El Niño costuma agravar períodos de seca, enquanto La Niña favorece volumes maiores de chuva.
O termo El Niño surgiu no século XIX, quando pescadores da costa do Pacífico sul-americano observaram o aparecimento periódico de águas mais quentes próximo ao Natal, associado à queda na pesca. A expressão faz referência ao “Menino Jesus”.
Durante La Niña, a ressurgência de águas frias e ricas em nutrientes favorece a vida marinha e melhora as condições de pesca nessas regiões.
A NOAA destaca que El Niño, La Niña e a neutralidade climática têm impactos globais e podem influenciar desde incêndios florestais até a produção de alimentos, com reflexos econômicos e sociais em diferentes partes do mundo.
