
A Divisão de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo foi oficiada pela vereadora Cris Monteiro (Novo) para investigar grupos que promovem, incentivam ou celebram a violência contra animais, além da disseminação de discursos de ódio em plataformas on-line.
Segundo a parlamentar da capital paulista, depois do episódio envolvendo o cachorro Orelha, vítima de agressões cometidas por adolescentes em Florianópolis (SC), passaram a circular em redes sociais e fóruns digitais conteúdos que normalizam a crueldade contra animais.
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Cris Monteiro denuncia esses grupos por estimular práticas criminosas que podem influenciar especialmente adolescentes e jovens.
“A internet não pode ser um território sem lei. A disseminação de conteúdos que incentivam ou celebram a violência contra animais é grave, criminosa e precisa ser enfrentada com seriedade. Esse tipo de material pode estimular novos crimes, sobretudo entre jovens em formação”, defende a vereadora.
No documento, Cris Monteiro solicita que a Polícia Civil investigue a existência de grupos de ódio, páginas e comunidades digitais, apure possíveis crimes cibernéticos associados, como incitação à violência e associação criminosa, e adote medidas para a identificação e responsabilização dos envolvidos, incluindo a cooperação com plataformas digitais.
O iG entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) para questionar qual o andamento a ser adotado agora pela Divisão de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil em relação ao ofício da vereadora, mas, até o momento, não obteve resposta. O espaço segue aberto.
Série de casos semelhantes
O caso do Orelha, que comoveu o Brasil pela violência praticada por adolescentes contra um cachorro que era cuidado coletivamente por moradores da região da Praia Brava, reacendeu o debate sobre maus-tratos contra animais.
E não se trata de um caso isolado. A morte brutal do cão Orelha apenas deu visibilidade a uma série de casos semelhantes que vêm ocorrendo.
Somente no estado de São Paulo, pelo menos quatro casos de violência contra animais foram divulgados nos últimos dias.
Na capital paulista, um homem disparou dez vezes contra um cachorro, num ponto de ônibus da zona leste da capital paulista. O crime, segundo a polícia, aconteceu no último dia 18 de janeiro, mas as imagens só surgiram nesta semana.
Em Campinas, interior paulista, um médico aposentado de 76 anos, foi preso em flagrante por maus-tratos após matar a tiros seu cachorro rottweiler, nesta quinta-feira (29).
E a Guarda Civil Municipal (GCM) de Nova Odessa, na região de Campinas, deteve um homem suspeito de agredir um filhote de cachorro com uma barra de ferro.
Já em Boa Esperança do Sul, na região central paulista, moradores denunciaram ataques a tiros contra cães de rua que vivem nas dependências do clube da cidade.
