
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) passou a investigar quatro investimentos feitos no Banco Master em quatro cidades diferentes do estado. Os aportes milionários de institutos de previdência social serão acompanhados pelo MP. As representações foram feitas ao Tribunal de Contas de SP. As informações são de um material da CNN Brasil publicado na manhã deste sábado (31).
Segundo a apuração da CNN, as cidades apontadas pelo MP-SP são: Araras, Cajamar, Santo Antonio de Posse e Santa Rita d’Oeste.
Em Araras, o sistema de previdência social do município teria investido cerca de R$ 29 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Em nota enviada a CNN, a Prefeitura de Araras e o Serviço de Previdência Social do Município de Araras (Araprev) informaram que estão sendo tomadas as medidas para resguardar os interesses dos aposentados e pensionistas do serviço público da cidade.
“A fim de preservar os interesses dos aposentados e pensionistas, a Prefeitura informa que acatou o pedido fundamentado do Araprev pela abertura de sindicância interna para averiguar os procedimentos tomados no ano de 2024 na autarquia, ocasião da decisão pelos três investimentos junto ao Banco Master. Outra medida foi encaminhar o caso à Procuradoria Geral do Município para providências administrativas e/ou judiciais perante o caso ocorrido. Sendo assim, o Araprev informa aos aposentados e pensionistas que, apesar deste danoso episódio, não haverá atrasos ou falta de pagamento dos benefícios e compromissos da autarquia“, diz a nota.
Em Cajamar, o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) aplicou cerca de R$ 87 milhões. Os investimentos foram entre 2023 e 2024.
A prefeitura de Cajamar respondeu para a CNN que o Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC) é uma autarquia com autonomia administrativa, sendo exclusivamente responsável pelos investimentos e o município não interferiu nas decisões do Instituto.
“O IPSSC (Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar) é uma autarquia municipal com autonomia administrativa e financeira, sendo exclusivamente responsável pelas decisões relacionadas à política de investimentos do regime próprio de previdência. A Prefeitura de Cajamar não participou, não deliberou e não interferiu nas decisões de investimento do Instituto. Os investimentos realizados seguiram rigorosamente a legislação vigente à época, bem como as normas dos órgãos reguladores, com análises técnicas, pareceres especializados e aprovação dos órgãos competentes do IPSSC. Todos os esclarecimentos solicitados pelo Poder Judiciário serão prestados dentro do prazo legal. A Prefeitura de Cajamar e o IPSSC reafirmam, de forma categórica, que a situação envolvendo o Banco Master não afeta e não afetará o pagamento das aposentadorias e pensões, atuais ou futuras, dos servidores municipais. A Prefeitura de Cajamar acompanha o caso e, respeitada a autonomia do IPSSC, adotará todas as medidas cabíveis para a proteção do patrimônio previdenciário dos servidores“, afirma.
Em Santo Antônio da Posse foram aplicados R$ 7 milhões em títulos vinculados ao Banco Master, em 2024. E em Santa Rita d’Oeste, também em 2024, foram feitos dois investimentos em um curto intervalo de tempo, que somam juntos em torno de R$ 2 milhões. As duas cidades não se manifestaram.
Banco Master
O colapso do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, abriu uma série de investigações da Polícia Federal e intensificou embates entre o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Cerca de 800 mil clientes aguardam o reembolso de investimentos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Entenda tudo sobre o caso.
CPMI do INSS
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) convocou o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para prestar depoimento no próximo dia 05 de fevereiro, em Brasília. Os depoimentos fazem parte das investigações sobre descontos indevidos aplicados em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS, apurados pela comissão.
Recentemente, integrantes da CPMI protocolaram um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a devolução de documentos sigilosos relacionadas a Daniel.
