Thayane Smith nega assédio no Pico Paraná e relata intimidade

Thayane SmithReprodução/Instagram

Thayane Smith afirmou que levou um pacote com oito camisinhas ao Pico Paraná na virada do ano, revelação feita em um novo pronunciamento publicado no domingo (01) em seu perfil no Instagram.

O detalhe inusitado integra um relato mais longo sobre a trilha em que Roberto Farias Thomaz se perdeu e ficou cinco dias desaparecido.

No vídeo, Thayane diz que havia expectativa de intimidade consensual durante o acampamento, mas afirma que nada ocorreu, nega qualquer tipo de assédio e sustenta que a decisão de seguir sozinha na descida foi motivada por exaustão, falta de água e risco à própria integridade física.

Itens levados, preparo desigual e frustração

Ao reconstruir o planejamento da subida, Thayane afirma que levou barraca, colchonete, alimentos enlatados e um pacote com oito camisinhas, enquanto Roberto teria levado itens considerados por ela insuficientes para a trilha, como biscoitos, salgadinhos e um chocotone.

No vídeo, ela diz que o contraste no preparo foi decisivo para sua percepção de insegurança ao longo do percurso.

“Eu levei coisas mais apropriadas para um acampamento. Ele só queria levar biscoitinho e salgadinho”, afirma.

Segundo Thayane, a expectativa inicial era de viver uma experiência de aventura com possibilidade de intimidade consensual, hipótese que diz ter sido frustrada ainda durante a subida.

“Não vou mentir: eu fui com o intuito de relaxar meu corpo. Mas foi totalmente broxante”, diz.

Ela relata que, mesmo após se trocar na frente do companheiro por causa das roupas molhadas, não houve clima para envolvimento.

“Em nenhum momento ele chegou com safadeza pra cima de mim. Não tentou me atiçar, nem nada”, afirma.

A jovem também rejeita interpretações de que teria havido violência sexual.

“Ele não me tocou, não tentou me estuprar, não tentou nada forçado comigo”, diz no vídeo.

Noite no acampamento e separação na descida

Outro trecho central do relato é a noite passada no Acampamento 1, marcada por chuva intensa, frio e cansaço extremo.

Após 5 dias de buscar, Roberto Farias, de 20 anos, foi encontradoReprodução/redes sociais

Thayane afirma que os dois dormiram próximos apenas para se aquecer, após ela impor limites claros.

“No máximo, põe a sua mão só na minha cintura”, relata ter dito, acrescentando que a orientação foi respeitada

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Sobre o momento da descida, Thayane afirma que Roberto apresentou sinais de mal-estar, incluindo vômitos, mas não pediu ajuda diretamente. Ela diz ter avisado outros trilheiros ao perceber a situação.

“Eu voltei e falei: ‘O Roberto tá passando mal lá atrás’”, afirma. Segundo ela, após conversa com terceiros, ele decidiu continuar.

A jovem sustenta que, ao perceber que estava sem água e sem alimento, optou por seguir adiante para preservar a própria vida. “O que passou na minha mente foi: eu vou me salvar”, afirma.

Thayane diz que aguardou no acampamento por mais de uma hora, dormiu no local e só decidiu descer após outros montanhistas alertarem que Roberto provavelmente havia se perdido.

No pronunciamento, ela também explica por que estava com documentos e objetos pessoais do companheiro ao chegar à base.

Segundo Thayane, ambos haviam deixado pertences na barraca ao subir ao cume, por causa da chuva e do peso das mochilas.

Ao desmontar o acampamento, decidiu levar os itens para evitar furtos e facilitar a identificação do jovem.

“Se eu tivesse abandonado ele, eu tinha desmontado tudo e ido embora sem avisar ninguém”, diz.

Ela afirma ter repassado todas as informações aos bombeiros e à família assim que chegou à fazenda onde equipes de resgate já atuavam.

O novo relato é divulgado em meio à divergência entre o Ministério Público do Paraná, que apontou indícios de omissão de socorro e propôs transação penal, e a Polícia Civil, que arquivou o inquérito por não identificar crime.

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Roberto foi encontrado com vida após caminhar mais de 20 quilômetros até uma fazenda da região.

Novas acusações contra Roberto

Em publicações posteriores, Thayane elevou o tom e passou a fazer acusações diretas contra Roberto, incluindo uso de drogas ilícitas e consumo excessivo de álcool.

Nos textos, ela afirma que o jovem seria “usuário de cachaça, maconha, cocaína e drogas alucinógenas” e questiona por que, segundo ela, teria de “guardar o que sabe” se o caso deixou de correr em sigilo.

“Digo e repito: Roberto é um drogado usuário de cachaça, de maconha, cocaína e todos os tipos de drogas ilícitas”, escreveu.

Em outra postagem, ela incentiva seguidores a cobrarem explicações do próprio Roberto e de familiares: “Agora vão lá no perfil do Roberto acusar ele de usuário de drogas”.

Thayane também relaciona o comportamento do jovem a questões familiares e pessoais, mencionando abandono paterno e dificuldades na infância.

“Se o próprio pai abandonou e não pagou pensão, não ajudou em nada, agora eu tenho que pagar uma indenização pela irresponsabilidade dele?”, questiona.

Nos textos, ela afirma ainda que Roberto teria intenção de levar bebidas alcoólicas e drogas para consumir durante a trilha, o que, segundo ela, foi vetado.

“Durante o nosso planejamento, ele queria levar bebidas alcoólicas e drogas ilícitas pra consumir lá em cima, mas eu não deixei”, escreveu.

As acusações não são acompanhadas de provas públicas, exceto por prints, nem de posicionamento de Roberto ou de sua família sobre o teor das declarações.

Roberto foi procurado pela equipe de reportagem do iG, mas até a última atualização desta matéria não se pronunciou.

O Ministério Público do Paraná também foi procurado para se posicionar sobre o assunto e o iG aguarda retorno. 

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