
A babá brasileira Juliana Magalhães e seu ex-patrão, Brendan Banfield
AP
O americano Brendan Banfield, acusado de matar a própria esposa e um outro homem, foi condenado pelo duplo homicídio nesta segunda-feira (2). Ele tinha um caso com uma babá brasileira, Juliana Peres Magalhães, que também é acusada de participação no crime.
Banfield é ex-agente da Receita Federal dos EUA (IRS). Ele disse à polícia que encontrou Joseph Ryan atacando sua esposa, Christine Banfield, com uma faca na manhã de 24 de fevereiro de 2023. Ele contou à Justiça que atirou em Ryan e, em seguida, Juliana Magalhães, a babá, também atirou no homem.
Mas as autoridades argumentaram no tribunal que a história era improvável, dizendo aos jurados que Banfield armou para Ryan em um esquema para se livrar de sua esposa. Mais tarde, foi revelado que Brendan Banfield e Magalhães estavam tendo um caso.
O veredito da Justiça ocorre depois que o duplo homicídio ganhou destaque na grande mídia no Brasil, nos EUA e em outras partes do mundo.
Magalhães se declarou culpada pelo crime em 2024 e testemunhou contra seu ex-amante no julgamento.
Ela disse que eles se passaram por Christine Banfield, que era enfermeira de UTI pediátrica, em um site de fetiches sexuais. Ela afirmou que eles usaram o site para atrair Ryan até a casa para um encontro sexual envolvendo uma faca, montando a cena para parecer que haviam atirado em um invasor que estava atacando a esposa.
O advogado de defesa, John Carroll, argumentou que o testemunho de Magalhães não era confiável porque ela estava cooperando com os promotores para tentar evitar uma longa pena de prisão. Em seu próprio depoimento, Banfield disse que o testemunho era “absolutamente insano”.
Juliana Peres Magalhães disse em depoimento que a ideia do ex-chefe dela era matar a mulher para ficarem juntos.
Tom Brenner/AP
Carroll também rechaçou a teoria de que Magalhães e Brendan Banfield se passaram por Christine Banfield nas redes sociais. O advogado afirmou que um investigador concluiu, a partir de evidências digitais, que Christine Banfield estava por trás da conta na rede social que depois foi atribuída ao seu cliente, no que Carroll disse ter sido uma punição por discordar do alto escalão do departamento.
Mas a promotora Jenna Sands rebateu a noção de que Banfield não estava familiarizada com plataformas de mídia social para pessoas interessadas em fetiches.
“Você teve múltiplos casos, correto?”, Sands perguntou ao réu, seguido de: “E um desses casos foi com uma mulher chamada Danielle, que você conheceu em um site de fetiches procurando por ‘sugar babies’. Está correto?”
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Banfield respondeu: “Eu não chamaria de um site de fetiches”. Quando pressionado sobre como descreveria o site, Banfield testemunhou que teve um relacionamento escondido com alguém que sabia que ele era casado.
Policiais encontraram foto de Juliana e Brendan em cômoda
Fairfax County Police Department
Nos argumentos finais, Sands disse ao júri que eles não precisavam se basear apenas no testemunho de Magalhães, apontando para o que ela chamou de “uma infinidade de provas”. Isso incluiu o depoimento de um especialista que afirmou que as manchas de sangue nas mãos de Ryan sugeriam que o sangue de Christine Banfield havia sido gotejado sobre ele.
O júri deliberou por quase nove horas ao longo de dois dias antes de chegar a um veredito. Banfield enfrenta a possibilidade de prisão perpétua em sua audiência de sentença, marcada para 8 de maio.
A sentença de Magalhães está agendada para depois do julgamento de Banfield. Os advogados disseram que ela poderá ser liberada se for condenada ao tempo já cumprido e poderá retornar para sua casa no Brasil.
