Conheça a história da urna eletrônica no Brasil

Desenvolvida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para garanti mais segurança e transparência nas eleições, em 2026 o equipamento completa 30 anos
Em 2026, a urna eletrônica brasileira completa 30 anos de existência. No dia 4 de outubro, mais de 155 milhões de eleitores participarão da maior eleição informatizada do país e do mundo. Desenvolvida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a urna eletrônica visa garantir maior segurança e transparência ao processo eleitoral, eliminando a intervenção humana nos procedimentos de apuração e totalização dos resultados.
A utilização de meios eletrônicos para contar votos não é uma ideia recente. A primeira menção a uma máquina de votar aparece no Código Eleitoral de 1932 (Decreto nº 21.076). Em 1985, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou a modernização do sistema eleitoral com a implantação do cadastro eleitoral informatizado. O sistema foi totalmente concluído em 1986, durante a gestão do ministro Néri da Silveira, quando o Brasil já contava com cerca de 70 milhões de eleitores. Antes disso, a falta de um registro nacional possibilitava fraudes no cadastro de eleitores.
Após a eleição de 1994, que foi marcada por fraudes e resultou na anulação do pleito no Rio de Janeiro, ficou claro que era necessário renovar o sistema, eliminando as cédulas de papel e a intervenção humana na apuração dos votos. A renovação começou a se concretizar com a posse de Carlos Velloso como presidente do TSE, ainda em 1994.
Em 1995, o desenvolvimento da urna eletrônica, como conhecemos hoje, foi finalizado. No ano seguinte, a máquina foi usada pela primeira vez nas eleições municipais. O projeto foi conduzido por uma comissão técnica do TSE, composta por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), que definiram as especificações do equipamento.
Em 1996, mais de 32 milhões de brasileiros, cerca de um terço do eleitorado da época, tiveram seus votos coletados e totalizados por meio de mais de 70 mil urnas eletrônicas. O processo foi realizado em 57 cidades, incluindo 26 capitais, com exceção do Distrito Federal, que não elegeu prefeito naquele ano.
Inicialmente, a urna eletrônica foi chamada de coletor eletrônico de votos (CEV). Seu principal objetivo era identificar alternativas para automatizar o processo de votação, além de estabelecer as medidas necessárias para sua implementação. Nas eleições de 1996, mais de 50 municípios brasileiros participaram do teste, marcando o início da automatização de 100% das eleições no país. O modelo brasileiro, hoje referência mundial, tem sido testado por outros países para a possível implementação de sistemas semelhantes em seus próprios processos eleitorais.
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