
Mapas meteorológicos indicam risco de tempestades na região Sudeste do Brasil, com grandes acumulados, especialmente nos períodos da tarde e da noite, que poderão atingir entre 100 mm a 300 mm em apenas uma semana. O alerta é da Metsul Meteorologia.
De acordo com o instituto, um corredor de umidade se forma sobre a região, associado a um episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e ao centro de baixa pressão na costa, reforça a instabilidade.
Os maiores acumulados devem se dar no interior do estado de São Paulo, no Triângulo Mineiro e no Sul de Minas Gerais e ainda no estado do Rio de Janeiro.
“Quando o atual canal de umidade da ZCAS se desorganizar, a chegada de uma frente fria no começo da próxima semana voltará a intensificar a chuva, ou seja, trata-se de período longo de instabilidade na Região Sudeste com muitos dias de chuva e consecutivos”, aponta a Metsul.
Muita chuva e riscos à população
De acordo com a previsão, é grande o risco de episódios de chuva intensa localizados nos próximos sete dias, que podem trazer acumulados altos de 50 mm a 100 mm em poucas horas, agravando a possibilidade de transtornos à população.
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Além disso, há possibilidade de temporais isolados com raios e rajadas de vento forte. Isso somado ao que já choveu neste começo de fevereiro.
“Os volumes apenas nestes primeiros dez dias do mês devem superar a média mensal em diversas cidades da região”, enfatiza.
Sob este cenário, a MetSul alerta para a alta probabilidade de alagamentos e inundações, em alguns casos repentinas, o que oferecerá perigo para quem estiver na rua durante enxurradas com intensas correntezas.
“Adverte-se também para a probabilidade elevada de quedas de encostas e ainda deslizamentos de terra, com grave risco à vida humana, especialmente considerando que o solo está saturado em vários pontos pelas recentes precipitações”, acrescenta comunicado do instituto.
O que é a ZCAS e por que traz muita chuva
Segundo a MetSul, a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) é conhecida por uma faixa de nebulosidade que cruza o Brasil.
Este corredor de umidade, um verdadeiro rio atmosférico, tem uma orientação climatológica típica de Noroeste para Sudeste, estendendo-se da região da Amazônia até o litoral da Região Sudeste.
Em alguns casos, especialmente durante o verão, a orientação da ZCAS chega a levar a faixa de maior instabilidade até os litorais do Paraná e de Santa Catarina, o que explica o tempo às vezes muito chuvoso durante o verão no litoral catarinense, enquanto o Oeste de Santa Catarina enfrenta estiagem e falta de chuva.
Os eventos de ZCAS são sazonais. São comuns entre os meses de novembro e março, ou seja, é um fenômeno típico de estação quente e podem durar até dez dias consecutivos, causando grandes volumes de precipitação nas áreas de atuação.
Tais eventos da Zona de Convergência do Atlântico Sul podem ser iniciados com a participação de frentes frias, que atravessam o Sul do Brasil e que, ao chegarem na região Sudeste, passam a gerar convergência de umidade da região amazônica até o Oceano Atlântico.
Os episódios de ZCAS são conhecidos por provocar volumes muito altos de chuva sobre o Sudeste do Brasil, em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Trazem ainda muita chuva em áreas do Centro-Oeste, especialmente no Mato Grosso e em Goiás.
“Sempre que se forma um episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul aumenta a preocupação com chuva excessiva a extrema no Sudeste do Brasil, porque os eventos de ZCAS favorecem episódios de chuva extrema localizada com inundações e deslizamentos de encostas”, conclui a MetSul.
