Vítima de racismo é agredida com pedaço de madeira pela vizinha

Os golpes atingiram a cabeça, o pulso e as costas da vítimaDivulgação Polícia Militar

Uma mulher de 45 anos foi presa em flagrante nesta terça-feira (03) após agredir sua vizinha com um pedaço de madeira e proferir ofensas de cunho racista e de intolerância religiosa. O caso foi registrado na Vila Belvedere, em Americana, cidade do interior de São Paulo.

De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a mulher foi liberada na manhã desta quarta-feira (4) e vai responder ao processo em liberdade. Ela nega ter cometido racismo e alega que agiu em legítima defesa.

A mulher agredida é umbandista e já havia registrado outras ocorrências envolvendo a mesma vizinha. Os golpes atingiram a cabeça, o pulso e as costas da vítima. Ela conversou com a EPTV e relatou que a agressão começou antes dos policiais chegaram.

“Eu estava na janela, arrumando minha casa e ela apareceu ali. Ela abaixou o vidro do carro e ficou imitando macaco. Depois ela veio na janela com o pai dela e continuou. Na hora que abri o portão ela veio correndo e meu deu socos e chutes, e o pai dela, quando percebeu que me defendi, veio com uma mangueira e disse ‘vai sua macaca, macumbeira, sua desgraçada’. Os policiais estavam na porta, dentro do carro, ela pegou um pedaço de pau, e falou ‘vou terminar de matar ela’”, declarou a vítima.

Atendimento do caso

De acordo com o Boletim de Ocorrência (B.O), a Polícia Militar (PM) foi acionada para atender uma denúncia de briga entre vizinhas. Ao chegarem ao local, os policiais flagraram a suspeita desferindo golpes contra a vítima com um pedaço de madeira. A agressora foi contida e algemada.

A mulher apresentava escoriações, mas recusou atendimento médico e foi detida no local. Já a vítima foi socorrida e encaminhada ao Hospital Municipal de Americana. O objeto utilizado na agressão foi apreendido pelos policiais.

Versão apresentada pela investigada

Conforme o B.O, a suspeita declarou não ter qualquer tipo de preconceito em relação à religião ou à cor da pele da vítima. Ela também negou ter feito ofensas de cunho discriminatório ou gestos que imitassem um macaco.

Ainda segundo o registro policial, a mulher afirmou que foi a vítima quem iniciou as agressões e que ela apenas reagiu em legítima defesa. De acordo com seu relato, a vizinha teria ameaçado buscar uma faca, motivo pelo qual ela se armou com um pedaço de madeira.

No B.O., a suspeita informou que a vítima se mudou recentemente para um imóvel vizinho ao seu. Disse ainda que mora com o pai, de 76 anos, e com um irmão de 35 anos que tem paralisia cerebral. Segundo ela, a vizinha costumava fazer barulho excessivo, com gritos e discussões frequentes, inclusive durante horários de descanso.

A investigada afirmou também que a vítima mantinha um centro religioso na residência e que chegou a pedir compreensão em relação ao ruído, sem sucesso. Ela relatou ter acionado a Guarda Municipal (GM) em uma ocasião e enviado vídeos à proprietária do imóvel.

Desde então, segundo a suspeita, a vítima teria passado a hostilizar sua família com xingamentos e ameaças constantes, dizendo que “iria pegá-los”. Posteriormente, ela soube que a proprietária do imóvel teria solicitado que a vizinha deixasse o local.

Relato de testemunha

Uma amiga da vítima, que presenciou o ocorrido, confirmou à polícia que a suspeita teria feito ofensas preconceituosas contra a umbandista. Ela também afirmou que as duas já tinham um histórico de conflitos.

De acordo com a testemunha, durante a discussão, a suspeita chegou a dizer que “hoje todo mundo vai para o cemitério”. A amiga ainda relatou que a vítima já havia registrado outras ocorrências envolvendo a agressora.

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