Lula diz que recebeu Vorcaro e nega interferência política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez seu último pronunciamento de 2025.Reprodução/ Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (5) que o encontro que manteve no fim de 2024 com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ocorreu dentro de sua rotina de receber executivos do sistema financeiro e descartou posição política “pró ou contra” no caso. As informações são do UOL News.

Segundo Lula, na conversa ele deixou claro que não haveria qualquer tipo de interferência política e que o banco seria submetido a uma investigação técnica conduzida pelo Banco Central.

Lula relatou que o pedido para receber Vorcaro foi feito pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que esteve em Brasília acompanhado do empresário. O presidente afirmou que decidiu chamar integrantes do governo para acompanhar a conversa.

Quando o Guido veio com o André Vorcaro a Brasília e pediu se eu poderia atender, eu chamei o Galípolo, chamei o Rui Costa, que é da Bahia, que conhecia ele. Ele então me contou da perseguição que estava sofrendo, que tinha gente interessada em derrubar ele”, disse o presidente.

Presidente garantiu investigação técnica

Segundo Lula, durante o encontro ele deixou claro que o governo não tomaria posição política em relação ao Banco Master e que a apuração ficaria a cargo das autoridades competentes.

O que eu disse para ele? ‘Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica feita pelo Banco Central’. Foi essa a conversa”, afirmou ao UOL.

Lula acrescentou que reforçou que a política não entraria na apuração. “‘Você fique tranquilo que a política não entrará na investigação do seu banco. O que vai entrar é a competência técnica do Banco Central para saber se está errado ou não está errado, se você quebrou, se não quebrou, se tem dinheiro lavado ou não tem’. E é isso que está sendo feito”, completou.

O Banco Master foi liquidado pela autoridade monetária em novembro de 2025, em meio a apuração sobre fraude.

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Críticas ao governo

A existência do encontro só se tornou pública na semana passada, o que gerou questionamentos. Lula justificou dizendo que a reunião com o dono do Banco Master não foi marcada na agenda oficial e que o encontro só aconteceu a pedido de Mantega.

O presidente também justificou o encontro afirmando que recebe rotineiramente executivos de instituições financeiras e citou outros bancos que já se reuniram com ele durante o atual mandato.

Eu já recebi, neste mandato meu, o Itaú, o Bradesco, o Santander, o BTG Pactual, todos os bancos eu já recebi”, declarou.

Durante a entrevista, Lula também comentou questionamentos envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha“, citados no contexto das investigações sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O presidente afirmou que o caso está sob apuração e disse ter tratado do assunto diretamente com o filho.

Quando saiu o nome do meu filho, eu chamei meu filho, olhei no olho dele e falei: ‘Você sabe a verdade. Só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda’”, declarou.

Lula disse que a orientação do governo é para que todas as investigações avancem até as últimas consequências, sem exceções. “Se tiver alguém meu envolvido nisso, vai pagar o mesmo preço, porque a lei é para todos”, afirmou.

Segundo o presidente, a investigação relacionada ao INSS teve início após apurações da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal, e segue em andamento. Ele reforçou que não interfere nos trabalhos das instituições responsáveis.

Contrato de Lewandowski

Durante a entrevista, Lula ainda comentou a divulgação de um contrato entre o escritório do ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o Banco Master. Segundo o presidente, a contratação é natural e não configura irregularidade.

Lewandowski é um dos maiores juristas que esse país já produziu. Todo e qualquer bom jurista é contratado por qualquer empresa que esteja com qualquer dificuldade”, afirmou.

Lula disse que Lewandowski deixou o banco quando foi convidado a integrar o governo. “Ele fez um contrato para trabalhar no banco. Quando eu o convidei para vir [para o governo], ele saiu do banco. Não tem problema nenhum.”

O presidente afirmou, no entanto, que o caso será investigado em profundidade, incluindo a relação do banco com recursos públicos.

O que é importante ter claro é que nós vamos a fundo nesse negócio. Nós queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro, o estado do Amapá colocaram o dinheiro do fundo dos trabalhadores nesse banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Banco Master e o Banco de Brasília? Quem está envolvido?”, disse Lula.

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