
Na mensagem enviada ao Congresso, no início da semana, o presidente Lula (PT) deixou claro: o próximo desafio do governo é o fim da escala 6×1 de trabalho, sem redução de salário.
No texto, ele disse que o tempo é um dos bens mais preciosos para o ser humano. E que “não é justo que uma pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas um dia para descansar o corpo e a mente e curtir a família”.”
Em entrevista ao portal UOL, nesta quinta-feira (5), Lula voltou a bater na tecla. “Com os avanços tecnológicos que o Brasil teve, não é necessário as pessoas trabalharem a mesma jornada que trabalhavam há 40 anos.”
O exemplo citado é o do jovem que se levanta às 5h e fica até 18h dentro de uma fábrica, pegando um ônibus lotado para voltar pra casa.
O discurso parece ter alto potencial eleitoral, mas o tiro tem direção e alcance incertos. Nem o Ministério do Trabalho sabe informar quantos profissionais atuam nesse modelo. (Em 2023, mais de 33 milhões de brasileiros trabalhavam mais de 40 horas semanais, mas o profissional da escala 6 por 1 pode ter outro acordo com o empregador e trabalhar, por exemplo, até cinco horas por dia).
Lula aposta que, escolhendo os inimigos certos, e deixando os fantasmas da guerra cultural para a extrema direita, os dados da economia vão virar votos quando a campanha começar. Foi o que disse em entrevista ao UOL.
Os cartões de visita são a menor taxa de desemprego da história, a inflação dentro da meta, os três anos de crescimento do PIB e a recente (e ainda incipiente) queda do dólar.
Na mensagem ao Congresso, Lula fez um aceno aos trabalhadores de aplicativo, para os quais defendeu uma “urgente necessidade” de regulação.
Tudo isso, claro, é objeto de debates com o Congresso, cujos integrantes não são doidos de bater de frente com projetos de alta popularidade no campo da economia em ano eleitoral.
O recado aos deputados e senadores é que o governo venceu o ceticismo e terminou o ano de 2025 com avanços e números recordes.
“As profecias eram as piores possíveis: economia estagnada; inflação descontrolada; dólar em disparada; bolsa em queda livre; e fuga de investimentos estrangeiros. Aconteceu justamente o contrário: o Brasil chegou ao fim de 2025 mais forte do que nunca”, disse Lula na mensagem.
Dentro de alguns meses saberemos se a aposta surtiu efeito.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG
