
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou novos arquivos do caso de Jeffrey Epstein, incluindo novos detalhes sobre a morte na cadeia do financista condenado por crimes sexuais.
São mais de 3 milhões de páginas de arquivos liberados no último dia 30 de janeiro, com muitos nomes, que chamam a atenção pelos registros em fotos e vídeos, alguns registrados pelo próprio bilionário, que foi encontrado morto no dia 10 de agosto de 2019, aos 66 anos, na sua cela no Centro Correcional Metropolitano de Nova York.
O presidente Donald Trump tentou impedir a divulgação dos documentos, mas, com a pressão do Congresso, de membros do seu partido e da opinião pública, ele acabou assinando a lei que obriga a publicação do material.
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Epstein cumpria pena por tráfico e abuso sexual. Ele já havia sido condenado a 13 meses de prisão por abusar de uma menina de 14 anos e foi inserido na lista de criminosos sexuais do país.
De acordo com os arquivos liberados, o bilionário cometeu sua primeira tentativa de suicídio em 23 de julho. Semanas antes, a equipe do presídio foi instruída a notificar o psicólogo de plantão e colocar o criminoso sob vigilância para que ele pudesse ser analisado completamente sobre o risco de suicídio.
Dessa vez, Epstein acusou seu companheiro de cela, Nicholas Tartaglione, de tentativa de assassinato, mas o preso negou e disse que, quando acordou, viu Epstein com um fio em volta do pescoço.
No dia 10 de agosto, quase 20 dias depois, ele foi encontrado morto.

Ainda segundo destalhes da investigação, um dos guardas carcerários teria entrado em desespero e admitido erro nas rondas ao saber da morte de Epstein. Segundo ele, os agentes não realizaram rondas das 3h às 5h.
Tentativa de reanimação
Uma das imagens divulgadas que mais chama a atenção mostra equipes de socorro tentando reanimar o financista, que está deitado em uma maca. Outra foto registrou seu pescoço com ferimentos.
Epstein ainda foi transferido de ambulância para o Hospital Beekman, em Nova York, onde sua morte foi confirmada e o corpo foi liberado para exames periciais. A autópsia feita horas apontou enforcamento.
O exame indicou que o empresário tinha lesões no pescoço e no ombro esquerdo, além de hemorragia nos olhos. A família do empresário contratou um patologista particular que participou da realização da autópsia.
O laudo chegou a gerar confusão, pois as autoridades afirmaram que as fraturas no pescoço poderiam, teoricamente, ser resultado de enforcamento ou estrangulamento.
Porém, relatórios do FBI afirmam que as descobertas dos exames eram compatíveis com a conclusão de suicídio.
Foram divulgadas também 10 horas de imagens de uma câmera de segurança da prisão que mostram, segundo o FBI, que ninguém entrou na cela de Epstein no dia da sua morte.
Arquivos censurados
Após as novas revelações, vítimas de abuso de Epstein e políticos de oposição expressaram indignação com páginas e fotografias censuradas e com tarjas pretas.
Segundo eles, grande parte dos milhões de documentos liberados desde dezembro contém trechos censurados ou cobertos por quadrados pretos.
Ou seja, fica a dúvida se a divulgação será suficiente para pôr fim às teorias da conspiração sobre a lista de amigos poderosos de Epstein e suspeita de tráfico de influência, incluindo o próprio Donald Trump, e as circunstâncias de sua morte, há quase 7 anos.
