Resultados dos bancos reforçam favoritismo do Itaú e cautela com Santander

resultados dos bancos

Os resultados dos bancos voltaram ao centro das atenções do mercado após a divulgação dos números de Santander, Bradesco e Itaú, enquanto investidores aguardam os balanços de Banco do Brasil.

Para Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research, a leitura do mercado tem sido menos sobre crescimento nominal de lucro e mais sobre qualidade do resultado, previsibilidade e risco de crédito.

Resultados dos bancos: Santander tem lucro acima do esperado, mas com sinal de alerta

Segundo Larissa, a principal frustração do mercado com o Santander Brasil veio da combinação entre alta da inadimplência e queda no nível de provisionamento. Na avaliação da analista, essa dinâmica indica uma postura mais agressiva na contabilização do risco de crédito.

O resultado final até veio acima do esperado, mas novamente sustentado por fatores não recorrentes. Isso já vem acontecendo há alguns trimestres e reduz a confiança na sustentabilidade do lucro”, afirmou.

O lucro antes dos impostos ficou abaixo das projeções, o que reforçou a percepção de fragilidade operacional. Para a Empiricus, esse padrão limita a atratividade do papel no curto e médio prazo.

Rentabilidade avança com risco controlado

Já para o Bradesco, a MSX Invest avalia o resultado como a consolidação de um processo de transformação que começa a aparecer de forma mais clara nos números. Segundo Marco Saravalle, o banco entregou rentabilidade em trajetória firme, com ROE acima do custo de capital e oito trimestres consecutivos de melhora, além de risco de crédito sob controle, com inadimplência estável e queda relevante no estágio 3.

O crescimento da margem financeira, a expansão da carteira, especialmente em pessoa física e MPMEs, e o desempenho consistente de serviços e seguros reforçam a leitura de melhora estrutural.

Embora os investimentos em transformação sigam pressionando custos no curto prazo, eles ancoram ganhos de eficiência e competitividade, sustentando um tom construtivo para 2026, com avanço gradual da rentabilidade“, avalia a MSX Invest.

Itaú: consistência operacional segue como diferencial

Na outra ponta, o Itaú Unibanco manteve o status de preferido entre gestores. Apesar de negociar a múltiplos mais elevados, acima de duas vezes o valor patrimonial, o banco segue entregando resultado operacional robusto, com maior previsibilidade.

Quando o operacional é forte, a sustentabilidade do lucro é maior. É isso que justifica o prêmio de múltiplo do Itaú”, explicou Larissa.

A analista observa que o banco pode entrar em uma fase de menor expansão de múltiplos, mas com crescimento das ações acompanhando a rentabilidade, estimada em torno de ROE próximo a 24%.

Banco do Brasil encerra os resultados dos bancos

Em relação ao Banco do Brasil, a expectativa é de pouca melhora nos resultados no curto prazo. O principal ponto de atenção segue sendo a inadimplência no crédito rural, que permanece elevada.

A exposição do Banco do Brasil ao agro é sistêmica. A carteira segue pressionada e qualquer melhora agora deve ser marginal”, avaliou.

Segundo Larissa, uma recuperação mais consistente deve aparecer apenas a partir do segundo trimestre, quando se intensificam os repagamentos do ano-safra. Esse efeito, no entanto, só deve ficar claro nos números divulgados no segundo semestre.

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