Como os oceanos foram formados?

Como os oceanos foram formados?Reprodução/ Pexels

A formação dos oceanos é um processo geológico complexo, fruto de diversos fatores e que está diretamente ligado a própria origem do planeta Terra. Esse fenômeno envolve fatores que vão desde a condensação da água proveniente da atmosfera primitiva até a ação das placas tectônicas, que continuam moldando a imensidão de água. 

Para entender melhor como se dá essa formação e como eles continuam a se transformar, o iG conversou com Eduardo Bulhões, geógrafo marinho da Universidade Federal Fluminense (UFF), que compartilhou suas percepções sobre a origem da água, a influência das placas tectônicas e as mudanças contínuas dos oceanos.

  • Veja também: Fossa das Marianas: o lugar mais profundo da Terra

Segundo Eduardo Bulhões, a formação dos oceanos está intimamente ligada à própria história do planeta. Ele explica que “no início da formação do planeta, há aproximadamente 4,6 bilhões de anos, a Terra era quente demais para manter água líquida estável e basicamente era o vapor d’água misturado com outros gases que dominavam”.

Ele comenta, porém, que com o resfriamento gradual do planeta, a água passou a se condensar, se transformando em líquido, e caindo como chuva por longos períodos. O que resultou no preenchimento de áreas mais baixas, chamadas “bacias”, e iniciando a “construção” do oceano.

O especialista também destaca que a interação entre a água e as rochas foi essencial para a “salinização” dos oceanos, já que os minerais dissolvidos pela água foram se concentrando ao longo do tempo, até que o oceano global salgado tomou forma.

Questionado sobre a origem da água nos mares, Eduardo afirma que ela veio de uma combinação de fatores. Parte da água já estava presente no material que formou o planeta, no processo chamado “acreção planetária”, mas os impactos de cometas com gelo e asteroides também desempenharam um papel importante.

Placas tectônicas

A dinâmica das placas tectônicas é outro fator que atua no surgimento, expansão e desaparecimento de mares e oceanos. Segundo Eduardo, essas placas funcionam como uma “esteira” do planeta, se movendo lentamente e, assim, “criando e reorganizando bacias oceânicas”.

O geógrafo marinho explica que, quando as placas se afastam, surgem dorsais médio-oceânicas, grandes cadeias montanhosas submarinas com relevo acidentado e zonas de fratura, processos que estão diretamente ligados à formação e expansão do assoalho oceânico.

Já quando as placas convergem, a litosfera pode afundar em zonas de subducção, formando arcos de ilhas vulcânicas e contribuindo para o “consumo” da crosta oceânica, processo que pode levar ao fechamento de oceanos ao longo de milhões de anos.

Oceano: um sistema único 

Eduardo Bulhões destaca que, do ponto de vista geológico e também oceanográfico, o oceano é a grande massa de água salgada que preenche as maiores depressões da Terra. “Essa divisão de oceanos e mares é uma forma prática de organizar um sistema que é único, que é o oceano como um todo”, afirma o especialista 

Ele explica que, além dos grandes oceanos Pacífico, Atlântico, Índico, Sul e Ártico, existem várias subdivisões, como mares, golfos, baías, fiordes e estreitos, que são definidas pela forma como os continentes recortam e compartimentam essas águas.

Os mares, por exemplo, são partes do oceano, e possuem características muito diferentes entre si, como salinidade e tamanho. Além disso, podem ser definidos como mares fechados, abertos e interiores, cada um com sua definição específica.

De acordo com o especialista, por outro lado, lagos e outros grandes corpos d’água continentais geralmente se formam em bacias dentro dos continentes, por processos tectônicos, glaciais, vulcânicos ou barramentos naturais, e não dependem da dinâmica do assoalho oceânico para sua existência.

Transformações contínuas

Sobre as transformações contínuas das formações marinhas, o geógrafo marinho explica que o oceano está em constante mudança, com diferentes processos geológicos ocorrendo em “camadas” simultaneamente. 

Ele também compartilha que o oceano é um sistema em constante movimento, com correntes superficiais e ondas geradas pelos ventos, além de mudanças na temperatura da água ao longo do tempo.

“Além disso, os processos geológicos, tanto lentos quanto rápidos, continuam em atividade, com terremotos e vulcões definindo os limites das placas tectônicas e remodelando áreas específicas”, avalia.

Eduardo Bulhões ainda ressalta que, apesar dos avanços no conhecimento sobre o oceano, o fundo marinho ainda é um território pouco explorado. A expansão dessas pesquisas é essencial para compreender melhor como o oceano interage com mudanças ambientais, incluindo fatores meteorológicos e climáticos.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.