Portugal volta às urnas para segundo turno presidencial histórico após 40 anos


Portugal volta às urnas para segundo turno presidencial histórico após 40 anos
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Os portugueses vão às urnas amanhã para o segundo turno das eleições presidenciais. Esta é a primeira vez em quarenta anos que o pleito presidencial no país é decidido em segundo turno.
Estão na disputa Antonio José Seguro, do Partido Socialista, e André Ventura, do Chega, partido de extrema-direita.
O candidato socialista foi o mais votado no primeiro turno, alcançando 31% dos votos, enquanto Ventura obteve 23%. As últimas pesquisas de intenção de voto indicam uma vantagem ainda maior para Seguro neste segundo turno, com o candidato somando quase 70% (67%) das preferências contra 33% de André Ventura.
Após vinte anos no poder, o Partido Social Democrata (PSD), de centro-direita, foi o grande derrotado desta eleição, terminando o primeiro turno em quinto lugar.
Segundo o cientista político Marco Lisi, “os partidos tradicionais falharam, ou seja, não conseguiram assegurar, digamos, uma melhoria, sobretudo em termos de serviços públicos. A economia tem bons indicadores, mas isso esse desempenho não se reflete a nível da de capacidade do Estado de fornecer, garantir serviços que sejam eficazes e competentes para a grande maioria da população.
Diante do cenário do segundo turno, o candidato social-democrata declarou apoio aos socialistas. No entanto, analistas alertam que, mesmo com a provável vitória da esquerda, o crescimento da extrema-direita fortalece a pauta anti-imigração, o que gera preocupação especialmente entre os brasileiros que residem em Portugal.
Ana Paula Costa, presidente da Casa do Brasil, afirma que “há todo esse discurso que tem colocado a imigração como um problema e que tem também incendiado esse debate e depois de concretamente feito medidas para poder penalizar os imigrantes, sejam as expulsões, sejam as fiscalizações”.
A representante ressalta ainda a importância econômica e cultural dos estrangeiros para o país. “Há alguns setores que sem a imigração, hoje ou não funcionariam ou teriam muita dificuldade de funcionar, porque são as pessoas imigrantes que acabam por segurar essa grande força de trabalho aqui em Portugal também.”
Em Portugal, o presidente exerce o papel de chefe de Estado, possuindo funções predominantemente institucionais e simbólicas. Cabe a ele representar o país, garantir o cumprimento da Constituição, nomear o primeiro-ministro e exercer o poder de promulgar ou vetar leis.
Ao todo, onze milhões de eleitores estão aptos a votar amanhã. Contudo, em um sistema onde o voto não é obrigatório e com o país enfrentando tempestades violentas, a abstenção poderá ser um fator decisivo no resultado final.
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