
As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completam 35 dias nesta segunda-feira (9), em Bacabal (MA), e ainda não há pistas do paradeiro das crianças.
Nenhuma linha de investigação é descartada, de acordo com a Polícia Civil, mas a principal delas é a de que os meninos, de fato, se perderam na mata.
Ágatha Isabelly, Allan Michael, de 4, e o primo Anderson Kauan, de 8 anos, desapareceram no dia 4 de janeiro, após saírem de casa para brincar no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA).
Três dias depois, no dia 7 de janeiro, Anderson Kauan foi encontrado por carroceiros em uma estrada do povoado Santa Rosa.
As outras duas crianças seguem desaparecidas e o prefeito de Bacabal Roberto Costa (MDB), oferece uma recompensa por informações sobre o paradeiro dos irmãos.
Na primeira etapa das buscas, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo áreas de mata fechada e de difícil acesso.
Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal, além de voluntários, participaram das ações.
Com a participação da Marinha, foram realizadas buscas ao longo de 19 quilômetros do rio Mearim, sendo que cinco quilômetros foram vasculhados minuciosamente.
Primo entra nas buscas e aponta “casa caída”
Dia 20 de janeiro, o primo das crianças, que ficou desaparecido por cerca de três dias na mata, recebeu autorização judicial para participar das buscas.

Ele ajudou a reconstruir o trajeto que eles fizeram. Foi Anderson Kauã que indicou à polícia a existência de uma casa abandonada neste trajeto, que ele descreveu como a “casa caída”.
As investigações e o rastreio dos cães farejadores que estiveram no local e sentiram o cheiro das crianças confirmaram a informação do menino.
O menino contou à polícia que ele e os primos chegaram a se abrigar ao pé de uma árvore próxima à casa, já que o estado de destruição do local nem permitia que eles ficassem dentro.
Ali teria acontecido a separação: Anderson Kauã resolveu seguir por um lado da casa, e as outras duas crianças, que estavam bastante cansadas, pelo outro.
Considerando obstáculos naturais, a distância percorrida da comunidade São Sebastião dos Pretos, de onde as crianças desapareceram, até a “casa caída” pode chegar a 12 km.
Nova etapa
No dia 23 de janeiro, com a conclusão da varredura nas áreas inicialmente mapeadas, as buscas entraram em uma nova etapa, com buscas na mata.
As equipes continuam atuando em áreas de mata fechada, rios e lagos, com participação de investigadores da Polícia Civil, agentes da Força Estadual Integrada de Segurança Pública, do Centro Tático Aéreo (CTA), do Batalhão de Choque da Polícia Militar, do Exército Brasileiro e do Corpo de Bombeiros Militar.
A base está instalada no quilombo São Sebastião dos Pretos.
A varredura em áreas de mata e em ambientes aquáticos conta com cães farejadores e mergulhadores, além de drones equipados com câmeras termais, capazes de identificar variações de calor em áreas de difícil acesso.
Duas aeronaves do Centro Tático Aéreo também foram deslocadas para a região e a Marinha utilizou o side scan sonar, equipamento de alta tecnologia capaz de identificar qualquer objeto ou corpo estranho submerso, para a varredura no leito do rio Mearim.
No dia 24 de janeiro, a Polícia Civil de São Paulo recebeu uma denúncia de que Agatha Isabelly e Allan Michael teriam sido vistos em um hotel, no bairro da República, no centro da capital paulista.
A Polícia Civil do Maranhão também foi notificada e, após averiguações, se concluiu que a informação era falsa.
Ainda segundo os policiais envolvidos, a investigação segue em andamento.
Uma comissão especial criada pela Polícia Civil, formada por dois delegados de São Luís, e uma delegada de Bacabal, conduz o inquérito, que já ultrapassa 200 páginas.
Não há previsão para a conclusão do inquérito policial. O mistério continua.
