Lula é um artista: o Picasso da desvergonha

Lula discursando em Mauá – SPCrédito: Reprodução Youtube

O presidente discursou ontem, dia 9 de fevereiro de 2026, em Mauá (SP):

“É a primeira vez na história do Brasil que estamos perseguindo os magnatas da corrupção nesse país. Não é prender o cara da favela, é prender o de terno e gravata que mora em Miami!”

Dita com solenidade, a frase soa histórica. Só não é inédita para quem lembra do passado recente. O mesmo homem que hoje posa de caçador de figurões foi condenado em duas instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro, chegou a ser preso e só recuperou seus direitos políticos porque as condenações foram anuladas por vícios processuais. Não houve absolvição de mérito. Ele não foi inocentado. Foi desprocessado.

A cena se repete. Lula fala sério, como se anunciasse algo revolucionário, apostando que a memória coletiva esteja em modo economia. A vergonha não entra em pauta. Passa-se por cima dela como quem escorrega numa casca de banana e chama de coreografia.

A raposa de terno branco

Em janeiro de 2026, em Maceió, Lula apareceu vestido de terno branco e alertou:

“Não coloquem uma raposa para cuidar do galinheiro, mesmo que ela esteja vestida de branco e com lágrima nos olhos.”

A frase era sobre fake news e eleições, mas o figurino virou protagonista. A imagem era perfeita demais. A raposa discursava contra a raposa, sem ironia, sem constrangimento, como se OAS, Odebrecht, tríplex e sítio fossem ruído de fundo.

As redes entenderam na hora. O branco era fantasia, a lágrima foi meme e o galinheiro ganhou CEP. O discurso, não. Seguiu intacto, como se repetir bastasse.

Clássicos do “vou pegar os ladrões”

O roteiro é antigo:

1989: “Lugar de bandido é na cadeia.” Desde que seja a dos outros.

2016: “Provem uma corrupção minha e eu vou a pé para a prisão.” Provaram, houve condenações, houve prisão, mas a história foi reeditada no jurídico.

2022, no Jornal Nacional: admitiu corrupção na Petrobras e, ao mesmo tempo, reivindicou a autoria da transparência. O incêndio existiu, mas o extintor também seria dele.

Como dizia minha professora de português: tem gente que precisa passar óleo de peroba na cara!

O curador de si mesmo

Lula atua como curador da própria biografia. Seleciona o que entra no quadro, apaga o que atrapalha a composição e se apresenta sempre como protagonista moral.

Ele não nega fatos. Ele os desloca. Não enfrenta contradições. Ele as dilui no discurso. A aposta não é na mentira, mas no cansaço.

Dia após dia, mês após mês, ano após ano. Na ideia de que repetir com convicção transforma passado em névoa.

Resta ao público escolher. Rir da audácia, lamentar a memória curta ou aplaudir a consistência estética. O terno muda, o discurso se adapta, mas a certeza de que ninguém vai conferir o espelho segue impecável.

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