Ibovespa pode subir em 2026? Gestor aponta o que observar

IBOVESPA PODE SUBIR

O Ibovespa pode subir ao longo de 2026 impulsionado pela entrada de capital estrangeiro, expectativa de queda de juros e valuations ainda descontados. A avaliação é de Renan Silva, gestor da Bluemetrix, em entrevista à BM&C News.

Segundo o especialista, o movimento recente da Bolsa brasileira não é aleatório. Ele está ligado principalmente ao preço relativo das ações brasileiras em comparação internacional.

O fluxo se deve justamente ao forte desconto que o Ibovespa tem em dólar. Nós ainda estamos cerca de 20% abaixo do verdadeiro pico do índice, registrado no período pré-subprime, quando o Brasil tinha grau de investimento”, afirmou.

Ou seja, para investidores estrangeiros, a Bolsa brasileira ainda aparece barata quando comparada a outros mercados emergentes.

Desconto em dólar e consumo interno sustentam tese

Na leitura de Silva, além do valuation, existe um fator estrutural pouco percebido pelo mercado: o potencial de consumo doméstico após anos de crescimento fraco.

Existe um mercado consumidor bastante ávido por consumir. Esse consumo ficou reprimido por muitos anos e ainda há muito resultado para ser capturado pelas empresas.

O gestor afirma que o capital estrangeiro aguardava uma janela de estabilidade econômica para voltar ao país, e encontrou essa oportunidade agora.

O investidor estrangeiro veio buscar retorno de forma pragmática. Ainda é um capital com característica especulativa.

Mesmo com juros elevados, as companhias listadas apresentaram desempenho resiliente, o que reforçou a tese de investimento.

Mesmo em um ambiente hostil e de juros muito altos, as empresas listadas mostraram eficiência.”

Queda de juros é o principal gatilho

Outro fator que sustenta a visão de que o Ibovespa pode subir é a mudança do ciclo monetário. Para o gestor, a desaceleração econômica aumentou a necessidade de cortes na taxa básica de juros.

Indicadores recentes reforçaram essa percepção:

  • queda da produção industrial

  • desaceleração dos indicadores PMI

  • recuo das taxas longas de juros

  • dólar em tendência de baixa

A produção industrial veio muito abaixo do esperado, com queda de 1,2%, e os PMIs também mostram desaceleração. Isso reforçou a leitura de que será necessário cortar juros.”

Segundo Silva, a redução da Selic tende a impactar diretamente os resultados corporativos ainda este ano.

Capturando a queda de juros, os resultados das empresas podem melhorar já no primeiro e no segundo semestre.

O ponto cego do mercado

Apesar do cenário positivo no curto prazo, o gestor alerta que o principal risco para a Bolsa não está na inflação nem na atividade econômica, mas na política.

Talvez o ponto cego que possa surpreender o mercado esteja nas pesquisas eleitorais e no embate político, mais do que na macroeconomia de curto prazo.”

Discussões institucionais e mudanças na percepção eleitoral podem alterar rapidamente o fluxo de capital estrangeiro.

No médio prazo, o maior risco segue sendo estrutural: as contas públicas.

Mais à frente, 2027 e 2028, parece que temos uma crise contratada, que é o problema fiscal.

Assim, o cenário traçado pelo gestor é de janela positiva para a Bolsa brasileira no curto prazo, sustentada por juros menores e entrada de recursos externos, mas ainda dependente do comportamento político e da trajetória fiscal do país.

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