CPI do Crime Organizado vota convocação de Toffoli e Moraes

Ministro Dias ToffoliNelson Jr./SCO/STF

A CPI do Crime Organizado do Senado se reúne na quarta-feira (25), após o Carnaval, para votar requerimentos relacionados ao Banco Master. Entre os pedidos estão a convocação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e convites ao ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.

A pauta inclui ainda convocações de sócios e ex-dirigentes da instituição, pedidos de quebra de sigilos e o depoimento do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias.

O pedido de convocação de Toffoli foi apresentado pelo relator Alessandro Vieira (MDB) e pelos senadores Magno Malta (PL), Carlos Portinho (PL) e Eduardo Girão (Novo). Eles querem esclarecimentos sobre a informação de que o ministro integra sociedade em empresa que vendeu participação no Tayayá Resort, no Paraná, a fundos ligados ao Banco Master.

A reportagem publicada pelo portal Metrópoles, em 21 de janeiro de 2026, aponta a possível exploração de jogos de azar em resort localizado no estado do Paraná, inclusive com a realização de jogos de cartas com apostas em dinheiro e a atuação de dealers, práticas que não se encontram autorizadas pelo ordenamento jurídico brasileiro”, afirma Magno Malta (PL).

Relatório da Polícia Federal também menciona citações a Toffoli em conversas entre o controlador do banco, Daniel Vorcaro, e Fabiano Zettel, relacionadas ao resort.

Toffoli deixou, nesta quinta-feira (12), a relatoria de inquérito no STF sobre suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

A CPI também pode votar a convocação de Paulo Humberto Barbosa e de Mario Umberto Degani, fundador do resort e primo do ministro, respectivamente. “A oitiva dos atuais e anteriores proprietários e administradores do Resort Tayayá mostra-se necessária para esclarecer o período de início das atividades noticiadas”, afirma Magno Malta (PL).

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Moraes, esposa e dirigentes

Há requerimentos de convite ao ministro Alexandre de Moraes e de convite e convocação à advogada Viviane Barci de Moraes. Segundo o senador Eduardo Girão (NOVO), ela manteve contrato de prestação de serviços advocatícios de “elevado valor econômico” com o Banco Master.

Conforme consta de diversas publicações jornalísticas, há notícias de que o ministro Alexandre de Moraes realizou contatos diretos com o presidente do Banco Central do Brasil para tratar de assuntos de interesse do Banco Master, instituição com a qual sua esposa (…) mantinha contrato profissional de expressiva relevância econômica”, diz o texto.

Também estão na pauta convites a Gabriel Galípolo, Rui Costa e Guido Mantega.

Entre os pedidos de convocação estão o do controlador Daniel Vorcaro e de outros ex-dirigentes. Os requerimentos citam a Operação Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo, que apura possível uso de estruturas financeiras para lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

O banqueiro Daniel Vorcaro (…) detém 20,2% das ações da SAF do Atlético de Minas Gerais. (…) A origem desses recursos já era alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo”, afirma Marcos do Val (PODEMOS).

Quebra de sigilos e TH Joias

A comissão pode votar pedido para que o Coaf envie Relatório de Inteligência Financeira e para transferência dos sigilos do Banco Master entre 01 de janeiro de 2022 e 29 de janeiro deste ano. Também há requerimento à Anac sobre aeronaves vinculadas a Vorcaro e ao banco.

A reunião prevê ainda o depoimento de TH Joias, indiciado pela Polícia Federal do Rio de Janeiro e preso em setembro de 2025, acusado de intermediar compra e venda de armas para o Comando Vermelho.

O suposto uso de um negócio legítimo, como o comércio de joias, para lavar e movimentar milhões em nome dessas facções, é um ponto de interesse central para esta CPI”, afirma o relator.

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