Toffoli no paredão: suspeita de vazamento vira nova bomba no STF

O ministro do STF, Dias ToffoliArquivo

Não sei exatamente que série vocês andam assistindo neste começo do ano, mas tem uma que está imperdível: é o imbróglio em que o Supremo Tribunal Federal se meteu desde que o relator do caso banco Master na Corte apareceu num relatório da Polícia Federal como um possível interessado na história.

Isso porque um fundo de investimento ligado ao banco comprou um resort que pertencia à família de Dias Toffoli. A Polícia Federal fez chegar a algumas pessoas que a história é uma bomba.

Resultado: na quinta-feira (12), o presidente do STF, Edson Fachin, chamou uma reunião de emergência pra dizer que tem um dinossauro no plenário e é preciso encontrar uma solução.

A solução foi uma nota conjunta que joga Toffoli aos leões sem que o ato parecesse mais extremo do que de fato é. A missiva, assinada pelos 11 ministros, diz que Toffoli não deveria deixar a relatoria do caso e enche o colega de elogios. Ainda assim a decisão foi que ele deixasse a missão, passada agora a André Mendonça.

A contrariedade de Toffoli estava explícita na recusa de atender aos jornalistas após a reunião.

Parecia claro que o recuo era tático para diminuir a pressão. Já tinha quem defendesse a saída dele não do caso, mas da corte.

Horas depois, o site Poder360 publicou trechos da reunião – que, detalhe, era secreta. Trechos literais, de cada ministro, alguns contrariados com a falta de pulso de Fachin (caso de Luiz Fux e Nunes Marques), outros indignados com o relatório da PF, que Flávio Dino chamou de lixo jurídico.

Todos ali entendiam que a decisão era mais política do que jurídica. Temiam pela imagem do STF e também pelo precedente: será que, nos rincões do país, dali em diante qualquer delegado teria poder de constranger enquadrar juízes de suas comarcas?, perguntou Nunes Marques.

O acesso aos trechos literais da conversa acendeu o alerta na Corte. Um deles gravou a conversa e repassou ao portal. E a conversa estava favorável demais a Toffoli para alguém desconfiar de outra pessoa.

Ministros ouvidos pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, garantem que, fora do recorte, a fita do ex-relator não estava tão bem assim.

Às vésperas do Carnaval, a crise que era de imagem se tornou em uma crise de confiança. Nunca antes um ministro da Corte foi acusado de esfaquear pelas costas os colegas depois de ser salvo por eles. Se fosse um reality show, era paredão na certa.

Hoje, sexta-feira, é véspera de Carnaval, e a história só melhora. A temperatura e as atenções talvez se dispersem até a volta do feriado. Mas essa história está longe de acabar ou ter um final menos traumático. Para Toffoli e a história da Corte.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

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