
São Paulo atravessa a maior seca dos últimos 10 anos. O Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que inclui o Sistema Cantareira, considerado a principal fonte de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, opera neste início de fevereiro com pouco mais de 37% da sua capacidade. Índice considerado crítico, levando em consideração que estamos em um período do ano com um alto volume de chuvas habitualmente previsto.
Diante desse contexto, o Governo de São Paulo implementou em 2025 um modelo inovador de acompanhamento e gestão dos recursos hídricos. A nova metodologia estabelece sete faixas de atuação que determinam diferentes níveis de restrição conforme o volume armazenado nos reservatórios do Sistema Integrado Metropolitano (SIM).
Esse sistema moderno de gestão permite um monitoramento contínuo e preventivo, evitando que medidas emergenciais sejam necessárias de forma abrupta. As ações são graduais e baseadas em dados técnicos monitorados diariamente e consolidados pela SP Águas, agência reguladora de águas de SP, garantindo transparência e previsibilidade para toda a população.
O monitoramento acontece 24 horas por dia, com análise em tempo real dos níveis dos reservatórios, vazões captadas e comportamento hidrológico em todo o território paulista.
As informações são públicas e atualizadas diariamente, permitindo que os cidadãos acompanhem a situação dos mananciais e compreendam a necessidade das medidas adotadas.
Hoje, estamos na faixa 3, com 10 horas de gestão de demanda noturna, que é a redução da pressão da água à noite, e qualquer movimento de redução desse volume é imediatamente seguido de ações de mitigação, visando a estabilidade do sistema. O controle da vazão de água no período noturno por 10 horas, feito sob acompanhamento e fiscalização contínuos da Arsesp, já gerou uma economia em seis meses de mais de 82 bilhões de litros de água.
Investimentos em infraestrutura
Em paralelo a todo o trabalho de gestão e monitoramento, a desestatização da Sabesp garantiu o fôlego necessário para as obras estruturantes que vão reforçar a resiliência hídrica de São Paulo pelas próximas décadas. A antecipação do bombeamento de até 2.500 L/s do rio Itapanhaú para o Sistema Alto Tietê, obra entregue no fim do ano passado, seis meses antes do previsto, aumentou em 17% o volume do reservatório, beneficiando 22 milhões de pessoas, com investimento de R$ 300 milhões. É um exemplo, de um pacote que supera R$ 5 bilhões em obras de segurança e resiliência hídrica na Região Metropolitana de São Paulo até 2027.

Já está em andamento a interligação Billings – Alto Tietê, que permitirá a captação de até 4 mil litros por segundo de água bruta no braço Rio Pequeno da represa Billings, em São Bernardo do Campo, com bombeamento para a represa Taiaçupeba, em Suzano, que faz parte do Sistema Alto Tietê. A interligação vai reforçar o abastecimento de toda a Grande São Paulo ao oferecer mais água para o Sistema Integrado Metropolitano, beneficiando cerca de 22 milhões de pessoas. O investimento é de R$ 1,4 bilhão.
Cada gota conta: ações práticas de economia
Em São Paulo a disponibilidade hídrica é de 143 m3 por habitante, 10 vezes menos que o preconizado pela Organização das Nações Unidas (ONU). “A escassez hídrica, portanto, não pode e não será encarada como um desafio ocasional. Atuamos de forma integrada, com planejamento de longo prazo e medidas de enfrentamento permanentes, mas todo esse esforço só alcançará o êxito esperado se houver a colaboração e uma mudança de cultura da população, que precisa incorporar no cotidiano medidas de economia de água”, reforça a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.
A colaboração da população é essencial para atravessar o período de estiagem com segurança no abastecimento e, por isso, o Governo de São Paulo tem feito constantes campanhas de conscientização. Pequenas mudanças nos hábitos diários podem resultar em economias significativas e fazer a diferença quando somadas aos esforços de milhões de pessoas.
No banheiro, reduzir o tempo de banho de 15 para 5 minutos representa uma economia de até 150 litros por pessoa em cada banho.
Para uma família de três pessoas, essa simples atitude pode poupar 13.500 litros mensais. Manter a torneira fechada ao escovar os dentes economiza de 12 a 20 litros por escovação. São gestos simples, mas com impacto real quando praticado diariamente.
Na cozinha, ensaboar toda a louça de uma só vez e enxaguar tudo junto, mantendo a torneira fechada durante a lavagem, pode economizar até 80 litros de água em cada refeição.
Utilizar máquinas de lavar louça também é eficiente, desde que sejam utilizadas com carga completa e no programa adequado, podendo economizar cerca de 100 litros por ciclo em comparação com a lavagem manual com torneira aberta.
Para a limpeza externa, usar vassoura ao invés de mangueira para limpar quintais e calçadas poupa mais de 500 litros a cada 30 minutos. Essa água economizada poderia encher uma caixa d’água residencial.

Ao regar plantas, o ideal é fazer isso no início da manhã ou no final da tarde, quando há menor evaporação, utilizando regador ao invés de mangueira.
Transparência
O momento exige um esforço coletivo baseado em informação clara e ações coordenadas. O Governo de São Paulo mantém canais de comunicação para que a população compreenda o cenário hídrico atual e participe ativamente das soluções.
A situação dos reservatórios é monitorada constantemente e as informações estão disponíveis para consulta pública. Esse modelo de gestão participativa permite que cada cidadão entenda a importância de sua contribuição individual para o resultado coletivo. Quando milhões de pessoas adotam pequenas mudanças de comportamento, o impacto se torna expressivo na preservação dos recursos hídricos.
As previsões climáticas indicam que os desafios relacionados à disponibilidade de água tendem a se intensificar nas próximas décadas. Por isso, desenvolver uma cultura de consumo consciente não é apenas uma necessidade momentânea, mas sim um investimento na sustentabilidade futura. A água é um recurso finito e sua gestão responsável garante que as próximas gerações também tenham acesso a esse bem essencial.
